Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

O mestre morreu há dez anos





Uma bela versão de "Os verdes anos" neste dia em que se cumprem dez anos sobre o desaparecimento de uma das figuras maiores da guitarra e da cultura portuguesas, o grande Carlos Paredes.
publicado por Aristides às 21:02
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Forte possibilidade, diz ela...



A destruição de casas e hospitais e a morte de civis e crianças “são apenas alguns exemplos onde parece existir uma forte possibilidade de o Direito Internacional Humanitário estar a ser violado e estarem a ser cometidos crimes de guerra”, disse Navi Pillay, alta comissária da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humano.

Uma "forte possibilidade", senhora Pillay?? Diga lá ao Mundo quantas mais casas, hospitais, ambulâncias podem ser atacadas e destruídas e quantos mais civis ou crianças precisam de ser abatidos para que essa angustiosa dúvida se dissipe no seu espírito? Ainda algum telespectador, por mais distraído que seja com telenovelas e reality shows, tem dúvidas sobre o hediondo crime contra a Humanidade que os israelitas estão a cometer na faixa de Gaza?

Já era tempo de cessar a hipocrisia e má-fé na diplomacia internacional fomentada pelos norte-americanos e seus aliados. Com a cobertura solícita e acocorada da vergonhosa comunicação social que temos! 

publicado por Aristides às 13:52
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Desafio

 

Hoje ouvi as autoridades russas com um desafio interessante aos EUA, ao seu sinistro fantoche neo-nazi que faz as vezes de primeiro ministro da Ucrânia e às suas certezas absolutas: "Se têm provas que foi um míssil fornecido pela Rússia, porque não apresentam provas?"

Esperam-se as cenas dos próximos capítulos!

publicado por Aristides às 20:51
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A linguagem também vai à guerra

Nota-se uma evolução semântica nos noticiários, pelo menos da RTP1: os que resistem ao governo usurpador nazi de Kiev no leste da Ucrânia e que o Ocidente já decidiu serem os culpados da queda do avião da Malaysia Airlines, já não são "separatistas pró-russos" mas sim "rebeldes russos".
Isto deve querer dizer alguma coisa...

publicado por Aristides às 13:54
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Teimosos!

Diz-nos o Diário Económico de hoje que o Orçamento do Estado para 2015 está a ser preparado tendo por base o corte agravado de salários - o mesmo que já foi chumbado pelo Tribunal Constitucional. A instrução foi dada pelo secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis e já foi enviada para os serviços.

Ou seja, o governo está a elaborar um Orçamento que não tem verbas suficientes para pagar os salários! Eles pensarão que até lá descobrem mais alguma tramóia para lixar os funcionários públicos, esses grandes privilegiados. A chatice é que são bem capazes de o conseguir, que a imaginação deles, quando se trata de roubar os trabalhadores, não tem limites.

 

publicado por Aristides às 14:37
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Domingo, 20 de Julho de 2014

Ninguém pára a besta sionista?

 

Eu sei que há milhões de pessoas por esse mundo fora que estão indignadas e revoltadas com o que o governo fascista de Israel está a fazer em Gaza. Já ninguém tem dúvidas, excepto o Nobel da Paz, Obama, que está em curso um genocídio na Faixa de Gaza. Bairros inteiros estão a ser destruídos pela artilharia e infantaria sionistas. Civis, imensas crianças, estão a ser mortos e despedaçados pela intervenção criminosa de um dos mais bem preparados exércitos que, assim, deita às malvas tudo o que é Direito Internacional ou o mínimo de ética que deve ser respeitada em todas as situações.

A barbárie está a solta nos territórios palestinianos e os responsáveis são os aliados dos EUA e da UE. Não vejo um governo destes "pilares" da Democracia e Liberdade exigir do governo de Israel que pare com este genocídio! Pelo contrário, Obama pede precisão nos ataques. O que quer ele dizer com isto? Que os soldados israelitas sejam mais produtivos, ou seja, gastem menos munições para produzir mais mortos?

A comunicação social, sempre coincidente com as posições dos EUA, deita água ne fervura, que o exército israelita avisou os habitantes para sairem, blablabla... Mas como é que um bairro super-povoado se pode esvaziar? Para onde querem que as pessoas vão, se estão nas suas casa e não têm motivos para fugir? Salvo, claro, os que lhe são dados pelas balas dos assassinos.

Entretanto, o "socialista" Hollande proibiu manifestações de apoio aos palestinianos.

Em que mundo afinal vivemos? Outra pergunta: ninguém consegue parar os filhos da puta do governo de Israel?

publicado por Aristides às 13:53
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Sábado, 19 de Julho de 2014

A realpolitik é tramada

À falta de informação e à congestão de contra-informação que sempre acontecem nestas situações delicadas como as que agora enchem os noticiários, eu tenho a minha própria teoria sobre o que aconteceu nos céus da Ucrânia. Passo a explicar. É completamente impossível que Obama e Putin não saibam já o que realmente aconteceu. O desenvolvimento das redes de informação, controle e espionagem, levado quase à perfeição pelos serviços secretos dos EUA, torna completamente improvável que não se conheçam os responsáveis pelo massacre.

Socorrendo-me das minha experiência enquanto consumidor de notícias e contemporâneo das manobras da guerra fria, aqui vai o que penso ter acontecido: os culpados pelo abate do avião comercial da Malásia foram as autoridades de Kiev, que agora prescindo de adjectivar, ou os EUA ou ambos, conluiados. É que se Obama soubesse que a responsabiilidade era dos "separatistas pró-russos", que até parece não terem armamento adequado, já tinha lançado a informação urbi et orbi, para que o mundo pudesse execrar e condenar devidamente mais um crime dos tais secessionistas. Não o fez até agora, limitando-se a lançar umas insinuações como intuito de manter a opinião pública mundial em estado de indignação contra os "maus" do costume. Mas Putin, que sabe de certeza o que se passou, não veio até agora identificar os verdadeiros culpados como seria de esperar. Então porque guardará ele esse trunfo?

Na minha opinião, Putin estará a tentar negociar a denúncia do crime dos nazis de Kiev e os seus aliados norte-americanos, em troca das sanções que foram recentemente reforçadas pelos imperialistas dos EUA e da UE. 

Acham esta teoria um bocado rebuscada? Eu também, mas já vi realidades bem mais retorcidas.

publicado por Aristides às 13:39
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A relatividade do conceito de genocídio

O departamento de Estado dos Estados Unidos considerou hoje "ofensiva" e "equivocada" a declaração do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, de que Israel está a cometer "um genocídio" com a operação que lançou sobre Gaza.

Recusou-se a dizer a partir de que número de mortos civis é que os "humanitários" EUA considerarão este genocídio um "genocídio". É com estas cumplcidades e apoios que os fascistas do governo israelita contam para perpetuar e perpretar a ocupação ilegal, a opressão ilegítima de todo um povo, cuja exigência é só uma e básica: o de poder existir num território que sempre foi seu.

publicado por Aristides às 11:21
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Aliados e cúmplices

 

Estes dois que se estão a rir nesta fotografia podem ser considerados, sem qualquer exagero, os maiores criminosos de guerra da actualidade. O que se está a passar no médio-oriente, em que um dos exércitos mais bem preparados e equipados do mundo está em confronto com uma população desarmada, indefesa e encurralada, é a fotografia mais nítida que se pode obter das intenções  e das hipocrisias do imperialismo norte-americano e de um dos seus mais dilectos aliados, o sionismo.

Neste momento em que, depois de dias e dias de bombardeamentos sobre Gaza, de um sem número de civis assassinados pelos israelitas, entre os quais muitas crianças, o exército sionista iniciou uma invasão terrestre com as dramáticas consequências que não tardaremos a ver pela televisão, se a ordem não for esconder do público os crimes que estão a ter lugar, vejo, já sem espanto, a reacção de Obama, Nobel da Paz, convém não esquecer. No meio de todo este genocídio, Obama espera que "não haja uma escalada de violência" e pede "precisão nos ataques" do exército israelita. Será possível maior hipocrisia e falta de sensibilidade perante o sofrimento de toda uma população cercada e acossada?

Infelizmente, vemos de novo os EUA e a União Europeia de mãos dadas numa situação de violação dos Direitos Humanos e de escalada belicista em que são inocentes civis os que mais sofrem. Depois da criminosa actuação deste duo na Ucrânia, só faltava mesmo sujar as mãos do sangue dos palestinianos para que não restem dúvidas a ninguém do que é capaz esta gente.

 

publicado por Aristides às 10:29
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Artigo de Julho no Praça Alta

Com um pedido de desculpas aos leitores que, apesar do meu desleixo, ainda visitam este blogue diariamente, aqui vai o meu artigo de Julho no jornal da nossa terra, Almeida, com a promessa de, a partir de agora, ser mais assíduo nas actualizações do blogue:

 

Notícias de Verão

 

Tempos houve em que este período do ano, abarcando os meses de Julho e Agosto, era o martírio dos jornalistas, dos jornais e das televisões. Acontecia que, chegada a época estival, tudo parecia ir a banhos e os fazedores de notícias viam-se em palpos de aranha para arranjar algo que enchesse as páginas dos noticiários, chamasse a atenção das pessoas e os euros dos anunciantes.

Esse vazio de acontecimentos foi responsável por trazer para a ribalta situações que, de outra forma ou noutra ocasião do ano, não mereceria uma linha ou um simples olhar curioso. Assim de repente, vem-me à memória a polémica, pontualmente reeditada em cada verão, dos touros de Barrancos que todos lembrarão. Ou talvez não! Este poderá ser apenas mais um caso em que fica comprovado que o que não aparece nas televisões não existe. Como tal, a dita controvérsia que envolvia a legalidade ou não dos touros de morte em território nacional, caiu no olvido das audiências e nos arquivos dos tribunais.

À semelhança desta notícia, que já esperávamos ansiosamente como se imagina, muitas outras não-notícias, polémicas artificiais, ridicularias mediáticas eram convocadas anualmente, por esta altura, para distrair os mais influenciáveis e acríticos consumidores de (tele)jornais.

Felizes tempos, constatamos agora.

Se repararem, um noticiário televisivo demora muito mais do que uma hora, tempo que sempre julgámos mais do que suficiente para nos pôr a par, de forma sucinta, do que se passa no planeta e arredores. Dir-me-ão que uma boa parte desse tempo é gasto com futebol, o que não deixa de ser verdade. Tivesse a selecção portuguesa ido mais longe na sua aventura brasileira e essa hora não chegava para falar só(!) dos penteados do Ronaldo. A eliminação prematura dos nossos jogadores poupou-nos a verdadeiros massacres informativo-adulatórios sobre as suas capacidades, gostos, manias, penteados, alimentação, etc. Ainda há males que vêm por bem.

Voltando ao fio da meada. Actualmente os noticiários estão cheios não só de notícias, o que não é de admirar, claro, mas de notícias importantes, dramáticas, decisivas para o nosso futuro como seres humanos.

Tomemos como exemplo o que se tem passado a nível doméstico nas últimas semanas. Novidades de primeira página não têm faltado. A crise no BES tem sido o motivo de preocupações, análises, demissões e um sem fim de circunstâncias que, de tão herméticas, dão-se apenas ao entendimento dos iniciados. Certo é que a família Espírito Santo, conhecida no milieu como DDT (Donos Disto Tudo) está a dar lugar a gradas figuras do regime, todas muito competentes, muito credenciadas e tecnocráticas e ligadas aos partidos que ora governam o país. Certo é também que, apesar da opacidade e complexidade da situação, ela vai sobrar para nós, contribuintes, já que a crise do grupo ES tem impacto na dívida pública. Já se sabe que onde há bancos em crise, a factura sobra para os mesmos de sempre. Nada de novo, portanto!

Outra novidade do governo que nos desgoverna, empenhado como está na destruição do Estado Social seguindo um roteiro terrorista a que chama, com pompa, guião da reforma do estado, tem a ver com a Educação, uma das vítimas preferidas desta gente. Decidiram, iluminados sabe-se lá por que Espírito Santo, que as escolas funcionariam melhor se a sua gestão fosse entregue aos municípios. Mas o perigo da coisa está na operacionalização da medida. Basta referir duas ou três das propostas para aferir da ameaça que elas representam para o ensino público. Vejam só: por cada professor que uma escola consiga eliminar, receberá um bónus de 12500 €/ano o que, dizendo muito da valorização que fazem do seu trabalho, é um incentivo enorme para o município pressionar o director da escola a encontrar estratégias que tornem o docente excedentário.  O que pode passar, entre outras coisas, por aumentar o número de alunos por turma, por exemplo. Para mandar areia para os olhos dos incautos, refere-se que esta prendinha só produzirá efeito se os resultados escolares não piorarem de um ano para o outro. Imagine-se a pressão sobre os professores sobrantes para que os resultados sejam os desejados pelo presidenta da Câmara, já que perder aquele subsídiozinho que pode atingir valores muito interessantes, dependendo dos professores dispensados, não é opção que se considere.

Quem pode ficar descansado com estas novidades em pleno Verão, outrora a silly season?

A nível internacional nada parece estar a correr bem para os que desejam o Progresso e a Paz. A situação no Iraque e Afeganistão é dramática, mas é a que foi desejada e construída pelo império norte-americano. O mesmo que apoiou o golpe de estado  dos nazis que ocupam o poder na Ucrânia e que massacram populações civis a quem chama terroristas. Obedientes, os nossos jornalistas, tomam o partido desses usurpadores e chamam rebeldes, pró-russos (que horror!), separatistas, aos que não aceitam ser espezinhados por uns tiranozinhos, por mais apoio que tenham do “democrático” Ocidente.

Apoio que não tem faltado a um governo israelita, esse sim autenticamente terrorista, que arrasa bairros inteiros, bombardeia indiscriminadamente, assassina crianças, dizendo estar a retaliar os ataques palestinianos efectuados com rocketes que, curiosamente, não matam ninguém. Também aqui se verifica a vergonha que é o alinhamento dos jornalistas pelo lado dos sionistas e seus aliados do regime de Obama. A independência jornalística foi a primeira vítima destes conflitos.

Aqui ficam, em breves linhas, umas pinceladas, infelizmente todas de cores muito carregadas, do que é o panorama noticioso de um Verão que persiste em não dar tréguas.

publicado por Aristides às 21:41
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

À rasca, mas empreendedores

 

Este senhor aí em cima chama-se Pedro Gonçalves e é  secretário de Estado. Mas não é um secretário qualquer, é secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade,tudo coisas que este governo trouxe para o dia a dia da nossa economia.

Ontem, este senhor afirmou que as pessoas em Portugal são das mais empreendedoras "quando estão à rasca", elogiando o crescimento das exportações nos últimos anos.  
"O empreendedorismo em Portugal tem funcionado de uma forma simples. Quando estamos à rasca somos dos mais empreendedores e voltamo-nos para fora. Quando obtemos um certo nível de riqueza voltamo-nos para dentro e perdemos competitividade", disse. Podemos então concluir que o melhor para a nossa economia é o pior para os portugueses. Para este governo é bom que os portugueses estejam à rasca, porque só assim é que a economia vai para a frente.

Está explicada a obsessão de Coelho e da sua quadrilha no empobrecimento da população portuguesa. Eles provocam esse empobrecimento, mas temos que concordar que o fazem pelas melhores razões.

Convém também dizer que estas surrealistas afirmações foram proferidas no Barreiro, numa homenagem a Alfredo da Silva, fundador do grupo CUF. Evidentemente que o discurso do governante foi altamente encomioso do papel daquele industrial, chegando a dizer que: "É inequívoco que o caminho a seguir hoje é o de Alfredo da Silva. Há milhares de oportunidades, não há falta de ideias ou falta de dinheiro. As pessoas devem é identificar a oportunidade concreta para serem empreendedoras".

Tudo isto é muito bonito e increve-se na narrativa oficial das oportunidades que a crise cria, de todos poderem criar o seu emprego e virem a ser ricos, blablabla...

Esquece-se este fulano, ou nem o saberá, das condições em que Alfredo da Silva e outros grandes empresários criaram os seus grupos e as suas fortunas incomensuráveis? Não saberá das condições que Salazar lhes proporcionou, limpando o caminho de qualquer tipo de concorrência que pudesse surgir? Já terá ouvido falar da lei do Condicionamento Industrial, através da qual, Salazar garantia aos Silvas, aos Champallimauds, aos Mellos e mais alguns (poucos), rendimentos certos, abundantes e seguros?

Pois é! Ás vezes é preciso olhar um pouco para trás, para perceber as coisas.

publicado por Aristides às 13:25
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Dedicada a Paulo Bento e ao Ronaldo



Waiting for the miracle...

publicado por Aristides às 13:33
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Portas e o futuro do matrimónio

 

Segundo parece a hostes demo-cristãs andam preocupadas. Não sabem, e o chefe não lhes diz, o que anda a congeminar naquela irrequieta e volúvel cabeça. Temem, talvez com alguma razão, que o seu irrevogável líder não renove os votos que celebrou com Coelho & Cª depois da crise conjugal de há um ano.

Portas gosta do poder, que ele obtém e segura com todas as suas forças e as mais habilidosas patranhas, por isso, se está a pensar bater com a porta e abandonar o cônjuge é porque tem outra fisgada. Afinal, andou bastanta activo nos últimos anos, entre Portugal e o estrangeiro, sempre rodeado de empresários e financeiros, vendendo o que podia da nossa produção e património e comprando o que não podia, com desastrosas consequências para...o contribuinte. Algumas amizades deve ter feito e algumas favores deve ter espalhado por aí. 

O problema para os seus correlegionários é não caberem nestes planos de futuro, em que pastas ministeriais e lugares no Parlamento ficam seguramente mais longe. Por isso a preocupação!

publicado por Aristides às 13:15
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Domingo, 22 de Junho de 2014

Cobertura imbecil

 

Normalmente, quando as coisas correm mal, logo vem o bando de comentadores e críticos que afiançam que já tinham avisado, que eles já tinham antecipado o desastre e as maneiras de o evitar.

Para não ser confundido com essa gente que gosta de ter razão, não antes do tempo, mas depois, quando não se arrisca nada, eu quero dar aqui a minha opinião sobre este Mundial e esta selecção.

E quero dizer que considero vergonhosa, não tanto a actuação da selecção, que só fez um jogo de triste resultado, mas da cobertura noticiosa e mediática desta "campanha alegre". Faço a distinção entre a vertente noticiosa e a mediática porque uma coisa são as notícias, obsessivas, omnipresentes, saturantes, sobre a equipa e outra é a cobertura obsessiva, omnipresente, saturante, das refeições, das dormidas, das recepções, do joelho, da tendinite, dos autógrafos, dos e das fãs. Uma coisa são as notícias, outra o folclore e convenhamos que o folclore tem-se destacado de forma bem visível.

Vergonhosa é também, a colagem  imbecil, promovida pelos media, da selecção que deveria ser nacional, à imagem de pop star do Cristiano Ronaldo. É uma falta de respeito principalmente para com todos os outros jogadores da equipa, mas também para todos nós, portugueses. Fazer crer que a selecção portuguesa é Ronaldo e mais dez só pode conduzir ao desastre que eu aqui antecipo mas, acreditem, não desejo.

Identificar uma equipa com um dos seus elementos, por mais famoso e socialite que seja, é injusto para uma e até para o outro. Não se pode pôr a responsabilidade de um percurso difícil como é um Campeonato do Mundo, sobre os ombros de um homem só, que pode ser bonito, bom jogador, aclamado por hordas de imbecilizados consumidores de notícias cor de rosa, mas é só...um homem.

 

publicado por Aristides às 14:56
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Chico faz hoje 70 anos

 

Neste aniversário do Chico, a minha homenagem a um dos artistas que mais admiro. Um vídeo antigo mas memorável!
publicado por Aristides às 14:36
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

A Rádio Renascença anda a dar destaque à CDU!

Todos nós sabemos do enlevo com que alguns orgãos de comunicação social tratam os comunistas e os seus aliados, ou seja, ignorando olimpicamente as suas iniciativas, manifestações, comícios, etc. Há, no entanto, uma circunstância em que não se importam de lhes dar visibilidade.

Tive hoje mais uma prova, como se tal fosse necessário, para atestar a verdade do que afirmo. No Sapo Notícias vi o destaque de um título da Rádio Renascença em que se acusavam os partidos de ainda não terem retirado a propaganda das ruas, embora ainda não tenha passado um mês sobre as eleições. Enfim, estas súbitas preocupações com a poluição visual só fica bem a quem as tem...

Dei comigo a apostar comigo próprio sobre a fotografia que estaria a ilustrar tal reportagem: eu apostei que, como era uma chamada de atenção e, portanto, uma certa publicidade negativa, a RR não se importaria de, por uma vez, dar prioridade à CDU. Claro que a outra parte, eu, já não se atreveu a apostar com a certeza de perder.

E não é que ganhei a aposta? Lá vinha uma bela e grande faixa da CDU a ilustrar o desleixo dos partidos quando e trata de remover propaganda. É claro que no texto também se responsabilizam outras agremiações partidárias, mas a questão da imagem é fundamental.

publicado por Aristides às 22:07
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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Pobres de nós...

"Funcionários públicos reformam-se com menos de 61 anos"
Este título do Sol, desonesto e mal intencionado, é também mentiroso porque induz a interpretações erradas. Para o constatar, basta ler os comentários acéfalos que provoca aos que estão sempre à espera dum assobio que os leve a morder as canelas dos funcionários públicos.
Era o que nos faltava: para além do governo que temos, sai-nos uma cambada de embrutecidos dispostos a alinhar no populismo cínico de quem gosta de dividir para reinar.
Pobre país, pobre gente...

publicado por Aristides às 22:47
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

As estranhas taxas

Vamos lá ver se eu percebi. Se o desemprego diminui, posso partir do princípio que houve desempregados que arranjaram emprego. Certo?

Mas se, ao mesmo tempo que baixa o desemprego, também baixa a taxa de população activa empregada, alguma coisa não bate certo. Certo?

Afinal, o motoreta Soares vai ter de nos explicar como se fossemos todos burros.

publicado por Aristides às 15:08
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Recessão e suicídios

A recessão na Europa e na América do Norte  provocou mais de 10 mil casos adicionais de suicídio entre 2008 e 2011, de acordo com uma investigação publicada esta quinta-feira na revista "British Journal of Psychiatry".

Pois é! Mas há para aí uns patuscos que acham que a austeridade é a penitência que temos que amargar por causa do nosso pecado da opulência e, portanto, todas estas macabras estatísticas são aceitáveis desde que estejamos a caminho de merecer o perdão dos mercados.

O problema é que há sempre uma Eva a provocar-nos com uma apetitosa maçã. Neste caso, a Eva é o Tribunal Constitucional que, a pretexto de nos indicar o caminho terraplanado das facilidades, nos há-de empurrar para a desgraça.

(Que me perdoem os suicidas pela ironia que perpassa este texto. Por eles tenho o máximo respeito, ou não tivesse já alguns amigos no grupo...)

publicado por Aristides às 22:03
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Artigo de Junho no Praça Alta

Saiu hoje o número de Junho do nosso jornal de Almeida. Aqui vai o meu artigo, principalmente para os não assinantes:

 

Portugal, país de novelas

 

Duas novelas têm animado, nos últimos dias, primeiras páginas de jornais, o primetime de tv’s e discussões de café. Uma, que talvez mobilize mais a atenção e a preocupação dos portugueses, tem a ver com o joelho de Cristiano Ronaldo. Tem a vantagem de contribuir para melhorar os nossos conhecimentos de anatomia, ao mesmo tempo que enriquece o nosso vocabulário com mais um termo, tendinose rotuliana, capaz de tirar o lugar ao mítico esternoclidomastoideo na história do cinema e do humor portugueses. Como as novelas da TVI, também esta parece aproximar-se de um final feliz, com Cristiano a poder participar no Campeonato do Mundo e tentar, durante algumas semanas, que os portugueses não pensem na vida, nos cortes, no governo e noutras misérias que lhes povoam os dias. Suspiremos, pois, de alívio, sabendo que o nosso hercúleo herói nos vingará das agressões injustas, que os menos dotados povos do norte, pelo menos em termos futebolísticos, nos dirigem. Não será isento de simbolismo o facto de, a 16 de Junho p.f., dirimirmos forças entre quatro linhas ortogonais com onze patrícios da senhora Merkel, numa tentativa, esperemos que não frustrada, de vingar  humilhações frequentes e reiteradas.

A outra novela, recorrente na trama, tem o seu epicentro no Tribunal Constitucional (TC) e nas aleivosias que lhe são atribuídas. É sabido que temos um governo com uma incapacidade congénita de governar dentro dos limites da lei. Tem sido assim, ano após ano, Orçamento após Orçamento. Convenientemente levantam-se vozes, num coro ofendido, vituperando o TC, assacando-lhe todas as responsabilidades pelo que corre mal. Faz-me lembrar os episódios de uma outra novela, mais a preto e branco, de há umas décadas atrás, em que o Conselho da Revolução era uma das forças de bloqueio que impedia uma governança modernaça e eficaz. Acabou-se o Conselho da Revolução, mas os problemas continuaram. Como era de prever...

Nos dias que correm, governo e apaniguados, desdobram-se em iniciativas e declarações, seguindo um guião previa e cuidadosamente preparado, visando o TC e os seus juízes. Começou por uma canhestra manobra que consistiu num pedido de aclaramento do acórdão maldito que chumbou os cortes. Cortes que, estes sim e finalmente, iriam resolver  o problema do défice orçamental, da enormidade da dívida pública e da nossa desejada competitividade. Os senhores juízes não estiveram pelos ajustes e acharam que todo esse afã de magarefe era contrário a princípios estipulados na lei suprema que é a Constituição.

Encadeado com este pedido, surgem afirmações de Passos Coelho, jurando que nada o move contra o TC, mas que seria necessário de futuro “escolher melhor os juízes” e “exercer um maior escrutínio” em relação à sua actividade. Estas afirmações, ditas por alguém responsável, mereceriam o repúdio generalizado e, quiçá, um discreto e polido puxão de orelhas por parte do presidente da República. Mas como foi Passos Coelho a proferi-las e o presidente da República é quem é, as coisas provocaram apenas um amarelado sorriso e um resignado encolher de ombros, como quem diz, desta gente não se espera outra coisa.

Sabendo que dez dos treze juízes do TC são indicados pela Assembleia da República, traduzem e sobrevêm das maiorias conjunturais que aí vigoram, ficamos a saber que estes que lá estão, resultam da vontade dos partidos da coligação governamental, com a concordância do PS. Coelho sabe também que aos escolher esses juízes está a fazê-lo no pressuposto da sua independência e imunidade a pressões, mas segundo parece o nosso primeiro valoriza muito a independência, desde que estejam de acordo com ele. Ficou, pois, demonstrado que a vontade deste governo é escolher, em próximas oportunidades, meros comissários políticos que votem no seio do TC de acordo com as suas fidelidades partidárias, mandando às malvas, de uma só vez, Constituição, independência e tudo o mais que não convenha ao monolitismo reinante.

Contudo, quem quiser ver para lá do manto diáfano das aparências, verá o que realmente está em causa e o que o poder financeiro, por interposto e instrumental governo da República, quer atingir. Esta crise terá, porventura, essa virtualidade. O que, de facto, está em discussão e na ordem do dia, não é a composição do TC, não é o facto de os juízes serem melhores ou piores, não é o escrutínio que se faz ou deixa de fazer das suas competências. O que está em causa, o governo ainda não o disse claramente, mas já o foi mandando dizer pelos seus papagaios. Não por acaso, na mesma sessão em que Coelho exigiu melhores juízes, um dos padrinhos da deriva neoliberal em curso, Pinto Balsemão, fez saber que acha a Constituição obsoleta e não adaptada às novas realidades. 

É claro como a água que o que está em causa é a Constituição da República, a Constituição de Abril, a Constituição que (ainda) consagra alguns direitos para os trabalhadores e o povo português. Enquanto não a expurgaram da sua carga progressista não descansam.

E enquanto estamos a aplaudir Ronaldo e seus companheiros da Selecção, é bom não esquecermos que é uma urgência colocarmos no Governo as pessoas certas que levem este país para o rumo do progresso e da rejeição de quem nos quer para sempre reféns dos “mercados financeiros”.

Isso sim, era um epílogo feliz para esta novela!

publicado por Aristides às 14:57
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