Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Ameaça terrorista sobre Portugal

euro_butchery2.jpg

 

Segundo a Comissão Europeia "há governos que mostram um sentido de urgência no ajustamento um tanto tardio, enquanto, por outro lado, há governos encostados a uma possível falsa sensação de segurança". Será este último o caso de Portugal, que é censurado pela Comissão de estar a relaxar em várias reformas ditas importantes e, em especial, nas que visam emagrecer o défice e a despesa pública.

Já o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, considerou esta terça-feira que as sanções a Portugal e a Espanha são "absolutamente uma possibilidade". À entrada para a reunião, em Bruxelas, Dijsselbloem alertou ainda que há "uma razão séria" para manter o tema das sanções como uma possibilidade a avançar.

Depois de lermos estas e outras notícias que envolvem a prestação de Portugal e as políticas "europeias" que nos têm como alvo (e vítimas), que outra conclusão é possível, se não a de que estamos debaixo de uma ameaça terrorista que pode acontecer a qualquer momento?

Os terroristas de Bruxelas não querem, por nada deste mundo, que a solução dos problemas que se está a ensaiar em Portugal, com avanços e recuos, hesitações e voluntarismos, entusiasmos e cepticismos, dê resultado. É que podia ser contagioso e os agiotas eurocratas perdiam as suas obscenas fontes de rendimento.

 

 

publicado por Aristides às 15:56
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 24 de Maio de 2016

As confusões do escrevinhador

jrs.png

 

"Continuo a escrever livros polémicos. As Flores de Lótus e O Pavilhão Púrpura mostram realidades, porém politicamente incorretas. O facto de que o fascismo é um movimento que tem origem marxista, por exemplo, é uma das demonstrações feitas nesta saga que poderá parecer polémica. Outra: o nazismo é inspirado em ideias então muito populares nas democracias ocidentais, incluindo Inglaterra, EUA, Escandinávia e França."

Ao prolixo escrevinhador não lhe bastava as horas de promoção ao livro, gentilmente patrocinadas pela comunicação social apadrinhando um dos seus; tinha que inventar umas valentes atoardas para que o toque polémico não faltasse e, assim, assegurasse a venda de mais uns exemplares.

Esta de o fascismo ter origem marxista não lembrava ao diabo! Mas lembrou-lhe a ele, o escritor que escreve livros porque ninguém escreve dos que ele gosta, sonhou com essa ideia que tem o mérito, pelo menos esse, de ser original. Imbecil, convenhamos, mas original. 

Pelo menos tem uma vantagem sobre outro fenómeno da pequena literatura lusa, o Miguel Sousa Tavares que, esse sim, tem alguma dificuldade em escrever coisas originais.

 

publicado por Aristides às 13:55
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

É oficial: acabou a corrupção no Brasil! Agora chama-se sorte ao jogo.

4546059.jpg

 

 "Fernando Giacobo, do Partido da República, o próximo na linha de sucessão como presidente do Congresso de Deputados, é quem vem presidindo às sessões legislativas, no lugar que foi de Cunha primeiro e que foi de Maranhão depois. E quem é Giacobo, perguntou-se a opinião pública? Giacobo é o deputado que explica o seu enriquecimento súbito pelo facto de ter ganho na lotaria - e outros jogos do tipo organizados pelo banco público Caixa Económica Federal - 12 vezes em duas semanas no ano de 1997. "Pura sorte, pura sorte, juro por Deus, eu sou um cara de muita fé", justificava-se o deputado em entrevista de 2004 ao jornal Folha de S. Paulo"

 

Como diria o Jardel, "gráçádeus" que, com a destituição de Dilma e o fim do governo PT acabou a corrupção no Brasil. Além disso, todo o mundo sabe que a malta com muita fé costuma acertar muitas vezes na lotaria e, claro, ficar rico.

As contas na Suiça do Cunha e outras fortunas suspeitas, afinal têm uma explicação bem mais prosaica: sorte ao jogo! Aliás, como poderia ser de outra forma se os corruptos são todos petistas, né?

publicado por Aristides às 16:08
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Os amarelinhos e as suas manifs privadas

protesto-no-tunel-696x737.jpg

Os amarelinhos andam bravos! É vê-los por aí em cerimónias oficiais, arrastando as pobres crianças que nem sabem ao que vão, a gritar,  buzinar, esganiçar e maltratar o hino nacional, tentando-nos convencer que lutam pela liberdade de escolha da escola, questão que nunca esteve na base dos contratos de associação. O que esteve foi a cobertura integral do território nacional, ou por escolas públicas ou não existindo estas, por colégios privados.

Acontece que a liberdade de escolha continua: todos os pais são livres de matricular os filhos na escola que bem entenderem. Se quiserem um colégio privado, terão que o pagar. Não será isto justo? Porque é que os meus impostos hão-de pagar o ensino público e o financiamento do privado, mesmo quando ele é redundante?

Estes amarelos mentem, manipulam, representam interesses mesquinhos e perigosos. Só já falta irem para as suas manifs privadas a rufar tachos e panelas. Já se tem visto noutras latitudes...

publicado por Aristides às 10:34
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 20 de Maio de 2016

Colégios e alheiras de Mirandela

transferir.jpg

 

"PSD acusa maioria parlamentar de discriminar alheira de Mirandela"- Título do Diário de Notícias de hoje.

Depois dos colégios privados e das suas negociatas à custa do nosso dinheiro, vemos assim a alheira de Mirandela perfilar-se como uma das grandes preocupações da direita portuguesa e no topo das suas prioridades.

publicado por Aristides às 17:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Os desertores

 

2m-QFdPk.jpeg

 "Os desertores não serão recebidos de braços abertos" em Bruxelas, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, numa entrevista publicada no jornal francês "Le Monde" nesta sexta-feira, referindo-se à possibilidade de que os britânicos decidam sair da UE no referendo de 23 de junho.

A chantagem continua, a linguagem dramatiza-se, o pânico dos eurocratas já não tem como se esconder. A Europa dos negócios e das manigâncias já nada de bom tem a oferecer aos seus cidadãos além das ameaças e das imposições completamente absurdas aos governos dos países membros. Nós, portugueses, que o digamos!

publicado por Aristides às 15:46
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

O meu artigo de Maio no Praça Alta

Liberdade de escolha?

Andaram anos e anos a encher-nos os ouvidos com o fim das ideologias, com a evidência cristalina do fim da divisão esquerda-direita, com o anacronismo da retórica bipolarizadora da vida política que ainda defendia haver políticas de esquerda e políticas de direita. A ideologia reinante era a de que já não havia…ideologias.

Esta visão das coisas, autoproclamada pragmática e realista, fez o seu caminho e muitos quiseram acreditar no que parecia uma boa nova mitigadora de inúteis conflitos. Conflitos esses velhos de séculos e com nenhuma aderência aos tempos novos em que se divisava já, rutilante, o fim da História. Sim, porque como muitos estarão lembrados, os vencedores da guerra fria proclamaram aos quatro ventos que a História não teria mais história e que a Democracia e a pax americana iriam reinar para todo o sempre num mundo sem antagonismos nem convulsões. As únicas manifestações a que iríamos assistir seriam de agradecimento dos povos pela democracia e prosperidade que assim lhes eram proporcionadas, derrotadas que estavam as forças do Mal, sob o comando da execrada União Soviética. A sublinhar esta onda de optimismo, os crentes lembravam uma profecia de décadas em que a divindade prometia paz no mundo quando aquela fonte do mal desaparecesse ou se convertesse. Forças terrenas e divinas, todas se pareciam conjugar para um final feliz.

Cedo, os mais cépticos (que os há sempre) começaram a ver as suas dúvidas ganharem razão de ser. O mundo, em vez de se pacificar entrou numa espiral de violência, guerra, atentados e conflitos sem precedentes. Algo correra mal nas previsões dos gurus e sacerdotes da civilização ocidental.

A URSS desintegrou-se e, ao contrário do esperado, não foi a Paz nem a Democracia que surgiram dessa derrocada. Pelo contrário. A partir dessa data, as convulsões multiplicaram-se. Os EUA, cientes do seu poderio de única superpotência, liberta por fim do contrapeso geoestratégico do seu émulo das estepes, deu para ser polícia do mundo. O seu pátio das traseiras que passava por ser a América Latina alargou limites até cobrir o mundo inteiro. Ou quase. As invasões e desestabilização de países, até há pouco estáveis e prósperos, começou a ser o modus operandi privilegiado dos norte-americanos. Contam-se por muitos os milhões os mortos provocados por esse delírio intervencionista.

Voltemos à dicotomia esquerda-direita com que comecei este texto e que me permitiu encadear as ideias até chegarmos aqui.

Em Portugal discute-se, por estes dias, o papel do Estado e da iniciativa privada na Educação. Desde há muito que há colégios privados com quem o Estado firmou contratos de associação, colmatando com essa oferta a ausência de escolas públicas numa determinada área. A lógica sempre foi essa, nunca a da liberdade de escolha das escolas por parte dos alunos e sua família, como alguns querem fazer crer.

Ora, transparecem aqui, de forma muito clara as visões opostas que esquerda e direita têm sobre Educação. De um lado, a esquerda coerente com a sua ideia de que o Ensino deve ser responsabilidade do Estado para assim o poder tornar universal, inclusivo e gratuito, de preferência. Do outro, temos a direita, não menos coerente na ânsia privatizadora de tudo o que possa ser rentável para os privados. Se isso pode ser penalizador para a universalidade ou gratuitidade do ensino e para o bem estar das populações é o que menos lhe interessa.

No meio deste furacão temos os colégios privados com quem o Estado assinou os tais acordos de associação. O que este governo pretende é não renovar esses contratos sempre que haja, nas imediações, escolas públicas que tenham a mesma oferta educativa, para não haver redundância nas despesas. É que, e este ponto é muito importante, o Estado contribui com mais de 80 mil euros por turma/ano para essas colégios. É curioso como a direita do “menos Estado, melhor Estado” não se coíbe de se aproveitar dos seus recursos quando isso interessa aos “negócios”. Neste caso não lhe ouvimos falar na necessidade de cortar as gorduras do Estado. Porque será?

Apesar de se saber que nenhum contrato vai acabar antes do acordado, que todas as crianças vão acabar o ciclo de escolaridade no colégio em que se encontram e que toda esta questão apenas afecta 3% das escolas privadas, não é de estranhar todo este sururu? E a utilização das crianças nesta guerra de privilégios que não se querem perder será eticamente correcta? E se quiserem colocar a discussão na questão da liberdade de escolha da escola para onde ir, nada contra! Mas cada um tem que pagar esse capricho, não devem ser os nossos impostos a suportá-lo.

Para mim, este é um exemplo claríssimo e actual de duas maneiras de ver a realidade e constitui a prova provada de que ainda faz todo o sentido falar de esquerda e direita.

publicado por Aristides às 10:58
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 22 de Abril de 2016

Acto falhado

ng6566833.jpg

 

"A presidência holandesa da União Europeia está a entregar um documento às delegações nacionais e à imprensa internacional, no qual identifica os ministros das Finanças presentes na reunião do Eurogrupo. Mas, no espaço reservado à fotografia do ministro Mário Centeno, aparece uma imagem do jornalista da SIC, José Gomes Ferreira."

 

As beneméritas instâncias da União Europeia bem gostariam de ter alguém com as ideias de José Gomes Ferreira (que nome tão injusto e imerecido!) no Ministério das Finanças português. Já há algum tempo que me falta pachorra para ouvir as suas análises, mas o pouco que ouço das suas intervenções diárias na televisão (apenas os breves segundos que medeiam a  sua aparição nas pantalhas e o meu precipitar sobre o comando da televisão com a ideia subitamente urgente de mudar de canal), mostram-me que os seu neurónios continuam empastelados em concepções ultraconservadoras e neoliberais. Fica apoplético com o mais pequeno aumento que seja de ordenados ou pensões, quando o Estado pretende melhorar os serviços públicos ou faça menção de manter alguns direitos sociais que o governo de direita combateu. É um dos mais lídimos representantes do pensamento único pró-troikista que tomou de assalto os meios de comunicação social nos últimos anos.

Não admira, por isso, que Shauble, Draghi e outros eurocratas com nomes impronunciáveis gostassem de o ter como interlocutor.

Quem se lixava eramos nós!

publicado por Aristides às 14:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 18 de Abril de 2016

RIP liberdade de expressão

 

imagesZAYE8OVI.jpg

"Sindicalista condenado por “desobediência qualificada” devido a “manif” de 100 pessoas

Factos ocorreram a 10 de Junho de 2014, na Guarda. Duas tarjas exibiam as frases: “Presidente incompetente deixe o seu palácio para melhor gente” e “Governo-Rua”.

O coordenador da União dos Sindicatos da Guarda; José Pedro Branquinho, foi condenado pelo tribunal ao pagamento de uma pena de multa, por causa da manifestação realizada naquela cidade, em 2014, durante as comemorações do dia 10 de Junho.

Segundo a sentença, o sindicalista foi condenado pelo Tribunal da Guarda pela prática, em autoria material e na forma consumada, de um crime de desobediência qualificada, a uma pena de 120 dias de multa, no valor total de 840 euros."

O caso ocorreu no dia da reacção vagal do ex-presidente (qua a Maria o tenha lá sem nós, durante muito tempo) Cavaco. Acontece que o espaço era público e a opinião é livre! Ou não?

Pois parece que não. Só espero que os defensores da liberdade de expressão que andaram tão acirrados e combativos aqui há uns dias atrás, façam ouvir o seu protesto, pelo menos tão alto como então.

publicado por Aristides às 17:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

A praga dos Silvas

800.jpg

 

"UGT considera que não faz sentido discutir matérias como as 35 horas na administração pública ou os 25 dias de férias no setor privado no parlamento, sem que os parceiros sociais sejam ouvidos.

A UGT denunciou hoje o esvaziamento da concertação social e lançou um desafio ao Governo e às confederações patronais para que se sentem à mesa e cheguem a um acordo em algumas matérias que estão a ser discutidas no parlamento."

Muito engraçado este Carlos Silva. O homem está habituado a dar uma mãozinha aos patrões na Concertação Social, o que lhe vale a ele e à central "sindical" a que preside estarem muito bem vistos nos sectores mais reaccionários da nossa sociedade. Os governos de direita, com o de Passos Coelho à cabeça e as centrais patronais agradecem reconhecidamente os favorzinhos que este simulacro de dirigente sindical lhes tem feito, precisamente em sede de Concertação Social.

Agora entrou em pânico. Não sei se, por uma vez, haver no Parlamento uma maioria capaz de aprovar medidas favoráveis aos trabalhadores, o que pelos vistos não é uma prioridade para este senhor, ou se por ver comprometido o seu papel de bajulador dos patrões, pelo desempenho do qual não deixaria de ser recompensado. Com trinta moedas, de preferência.

Não deverá um dirigente sindical valorizar a existência das melhores condições possíveis para que as reinvindicações dos trabalhadores sejam atendidas e, quando elas existem, aproveitar a conjuntura favorável? Carlos Silva parece não entender isso ou, na pior das hipóteses, entender bem demais!

 

publicado por Aristides às 15:37
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 13 de Abril de 2016

O meu artigo no Praça Alta de Abril

Paraísos fecais

 

Grande sururu vai por essa comunicação social com a fuga de informação que permitiu ter acesso aos nomes de um interminável número de pessoas e empresas que, a seu tempo e avisadamente, puseram as suas fortunas a salvo dessa coisa horrível e fora de moda que se chama pagar impostos.

Os já famosos Panama Papers estão a ter o mérito de despertar muita gente para a iniquidade de um sistema que permite aos mais ricos, às maiores empresas, aos agiotas, escaparem a uma das obrigações primeiras e primárias de qualquer cidadão, que é contribuir com uma parte dos seus rendimentos para o bem comum, para um conjunto de despesas a que os Estados não se podem eximir, sob pena de regressarmos à barbárie. Contudo, é cada vez maior o número de autointitulados liberais que opinam que o Estado não deve interferir nas escolhas dos cidadãos, deve renunciar à sua função social, deixar as pessoas entregues ao seu destino e, concomitantemente, cobrar o menor número de impostos possível. A sua argumentação, risível como quase todos os argumentos neoliberais, assenta num raciocínio mais o menos deste tipo: se sabes que tens subsídio de desemprego é claro que não te sentes motivado para procurar emprego; se tens assistência médica gratuita nunca vais querer poupar para os dias piores; os patrões só estão disponíveis para te dar emprego se ganhares pouco e não tiverem que fazer descontos porque assim é que deve ser, etc., etc.

Deixemos por agora este catecismo, embora tenha muitos seguidores nos tempos que correm. Voltemos aos mal chamados paraísos fiscais. Esta expressão surge de um equívoco e teve, na sua origem, a má tradução do inglês da palavra “haven” que literalmente significa “refúgio”, confusão evidente com o vocábulo “heaven” que quer dizer “paraíso”. Confusão com toda a certeza voluntária, dada a conotação negativa de refúgio, em contraponto com a bondade da palavra paraíso. Refúgio significa fuga a qualquer coisa enquanto paraíso é algo a que todos almejam. Problemas de consciência, é o que deve ser.

Parece-me que esta comoção à escala internacional que acordou o espírito justiceiro que há em todos nós está um pouco inflacionada, digamos assim. Será mesmo notícia a existência destes offshores que as grandes fortunas e empresas utilizam para lavagem de dinheiro e fuga aos impostos? Não sabemos todos nós há décadas que eles existem, com o beneplácito das leis nacionais e internacionais e a complacência da opinião pública e publicada? É segredo para alguém que, das vinte grandes empresas nacionais de “referência” que fazem parte do PSI 20, apenas uma(!) tem sede fiscal em Portugal, não contribuindo, assim, para o esforço a que os trabalhadores por conta de outrem fazem para manter o Estado Social?

O que é certo é que somos bombardeados diariamente com a necessidade de abdicarmos de direitos duramente adquiridos porque não há dinheiro. Ora, a culpa é de quem? Dos que, putativamente, vivem acima das suas possibilidades, ou dos que, de forma criminosa, fogem a dar o seu contributo ao esforço colectivo?

Assim sendo, desta não notícia que são os Panama Papers, algo de positivo podemos inferir. Afinal há culpados para os défices, para a dívida pública e para as dificuldades de muitos países em manterem níveis aceitáveis de dignidade social. E não são, pelos vistos os trabalhadores e a sua tão citada falta de produtividade.

Quando, daqui a dias acabar este festival, tudo voltará ao normal. Os offshores continuarão a existir alegremente, a lavagem de dinheiro oriundo da corrupção associada aos grandes negócios continuará a ser a regra e nós, já orientados e indignados para outro qualquer escândalo mais fresquinho e mais conveniente, já teremos esquecido mais este fait divers diluído como foi na espuma dos dias.

Convém, todavia não ser ingénuo. Quando se trata de grandes furos jornalísticos que envolvem tanta gente poderosa à escala global, enchendo páginas e páginas de jornais por todo o mundo, é do mais elementar bom senso reflectir sobre o assunto e, principalmente, não embarcar de imediato na narrativa dominante na comunicação social. E ao fazer esse salutar exercício de ler nas entrelinhas da opinião publicada e dominante, podemos aperceber-nos de algumas coisas, se não esquisitas, pelo menos intrigantes. A primeira é a ênfase que se põe na participação de Putin e outros dirigentes mal amados pelos EUA e seus apaniguados, o que parece até que foi precipitado. A pressa com que se tentaram incriminar líderes que o “ocidente” detesta faz alguma luz sobre o assunto.

A segunda perplexidade é ainda maior: como perceber que a maior praça financeira do Mundo, o país onde pontificam as maiores multinacionais e onde se fazem os maiores negócios e se movimentam por hora recursos financeiros superiores aos PIB’ s de dezenas de países, não constar em nenhum dos famosos papéis? Não há um único homem de negócios norte-americano envolvido? Será de crer?

Não me aprece verosímil que o país sede de Whal Street esteja fora deste negócio. Cá para mim, aqui há gato!

publicado por Aristides às 18:46
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Quem dá mais?

e-se-dilma-sofrer-o-impeachment-o-que-vem-depois.j

 

António Franco, antigo embaixador de Portugal no Brasil sublinha que no Brasil assiste-se a um "jogo político feroz para cativar os deputados indecisos ou os que ainda não exprimiram a sua opinião". Estes "serão pouco mais de 120 e deverão estar-lhes a ser prometidos 'mundos e fundos', quer pelos apoiantes de Dilma Rousseff quer pelos defensores da destituição".

Era curioso saber quanto é que os impolutos deputados anti-corrupção estarão meter ao bolso para venderem o seu voto. A situação criada no Brasil, o envolvimento de políticos dos mais variados campos em negócios ilícitos e golpadas, leva-nos a concluir que o problema  com o Brasil é a corrupção, mas o problema com o PT e Dilma não é a corrupção!

publicado por Aristides às 16:40
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

A boa imprensa dos EUA

"O governador do estado do Mississipi, no sul dos Estados Unidos, assinou nesta terça-feira uma lei que permite aos proprietários de estabelecimentos comerciais e aos funcionários públicos recusar atendimento a casais homossexuais com base nas suas crenças religiosas."

Esta notícia é já da semana passada, ainda antes dos papéis do Panamá terem vindo poluir o ambiente mediático e, ou muito me engano, ou passou completamente despercebida à maioria dos cidadãos.

Outro galo cantaria se esta medida, em vez de ter lugar num país tão democrático como são os EUA, acontecesse noutro país que não beneficiasse das graças dos isentos e imparciais meios de comunicação social que nos moldam a opinião. Imaginem que esta lei era aprovada num qualquer recanto da Rússia ou da Venezuela! Nem quero imaginar a chinfrineira dos defensores dos Direitos Humanos, do Milhazes, dos escribas do Observador e do resto da cáfila bem pensante e politicamente correcta que não nos desampara a loja nem por nada!

Bom, mas como é nos EUA, quem sabe se não deveremos imitar?

publicado por Aristides às 17:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Jacques Brel, que morreu tão cedo

 O grande Jacques Brel faria hoje 87 anos. A minha pequena homenagem a um dos cantores/compositores/poetas que mais admiro e aprecio. 

publicado por Aristides às 19:16
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Paraísos fecais

Este "escândalo" dos papéis do Panamá já foi divulgado domingo. E, desde então, algumas questões se levantaram no meu espírito. Como escreveu Pedro Tadeu no Diário de Notícias, num artigo de que transcrevi um excerto, novidades não há nenhuma. Toda a gente sabia há décadas que estes offshores existiam e para que é que existiam. Esse generalizado e criminoso sistema de os poderosos lavarem dinheiro ou fugirem ao fisco já não faz abrir a boca de espanto a ninguém. Todos sabemos como os mais ricos gostam de se eximir ao esforço colectivo que permite haver escolas, hospitais, polícia, etc.

Uma coisa que me intriga e muito é o facto de, num fenómeno global e mundial como é este, haja como que uma zona negra (ou branca, se quiserem) com o tamanho do Estados Unidos da América. Isto é, a grande potência financeira, sede de Whall Street e dos maiores bancos mundiais, não tem um homem de negócios, uma empresa, um banco, ninguém referido nos famosos papéis. Não é intrigante?

Outra curiosidade é o facto de a divulgação dos papéis do Panamá terem provocado ondas de choque por esse mundo fora, tendo até provocado a demissão de um primeiro ministro e nós ainda não podermos saber o nome das 244 empresas que vêm citadas nos ditos papéis. Tudo porque o Expresso, que tem o monopólio da informação respeitante ao nosso país, com origem no consórcio de jornalistas que divulgou a fuga, só sair ao sábado.

Lá teremos de esperar por sábado.

publicado por Aristides às 16:20
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Pedro Arroja e as mulheres (outra vez...)

ng6416105.jpg

 

"O economista Pedro Arroja defende que a ascensão generalizada das mulheres nas direções partidárias é um sinal da degenerescência dos partidos.

"Eu sei que dizer que as mulheres são diferentes dos homens é hoje em dia muito impopular. É muito impopular mas é verdade", diz Pedro Arroja no final de um texto publicado no domingo no blogue Portugal Contemporâneo."

in Diário de Notícias

Este homem é fantástico! Que seria de nós sem o Pedro Arroja e as suas arrojadas (para não lhes chamar outra coisa) opiniões? É um fartote.

Talvez ainda nenhuma estação de TV se tenha lembrado, mas estou em crer que Arroja era o nome mais indicado para substituir Marcelo nas suas prédicas dominicais. Tinha muito mais audiência do que a Marisa Matias, de certeza.

publicado por Aristides às 17:17
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 5 de Abril de 2016

"Os Papéis do Panamá são mesmo notícia?"

O jornalista Pedro Tadeu, na sua coluna de opinião no Diário de Notícias, escreveu hoje um texto claríssimo e inatacável sobre os denominados papéis do Panamá, com o título que encima este post, de que respigo uma parte. Aqui vai:

"De resto, para ser franco, estamos escandalizados porquê? Então não sabíamos que as offshores existem? Não sabíamos que elas serviam para branquear dinheiro obtido por corrupção, roubo, violência, traficância? Não aceitámos como "legal" a sua utilização para evasão fiscal de dinheiro "respeitável"? Não sabíamos que parte das grandes fortunas pessoais no mundo, bem como receitas equívocas de conglomerados empresariais, usam offshores para enganar Estados, roubar contribuintes?

Não confirmamos com o Swiss Leaks que a Suíça lava mais branco? Não lemos o Lux Leaks, onde o atual presidente da Comissão Europeia apareceu como facilitador da evasão fiscal? E não aceitámos que o inquérito político ao caso morresse no Parlamento Europeu?

Não estamos fartinhos de saber que só uma empresa do PSI 20, em Portugal, tem a sua sede fiscal no nosso país? Não aceitamos, cúmplices, este estado de coisas no mundo? Não ficámos já todos habituados à globalização da falcatrua? Não é já corriqueiro? Estamos espantados porquê?... Os Papéis do Panamá são mesmo notícia?"

publicado por Aristides às 17:08
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Coelho polido

ES1020160403.jpg

Durante o fim de semana, perante o olhar protector e a presença  tutelar e totémica de um busto de Sá Carneiro em pleno palco do Congresso do PSD em Espinho, Passos Coelho mostrou que está muito mais polido do que da última vez que passou pela oposição. Toda a gente se lembra da expressão um pouco labrega com que o actual líder do PSD classificou a proximidade de chegar ao poder. Disse ele, sem os cuidados de linguagem que a proximidade das televisões e o decoro aconselhariam, que estava na hora de "ir ao pote".

Desta feita, talvez bem aconselhado (até que enfim!), trocou a alarvidade daquela expressão por um discreto e civilizado "não ter pressa de chegar ao poder".

Como diria o outro: estão verdes...

publicado por Aristides às 17:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

Trágico-marítima

safe_image.jpg

André Carrilho - "Mediterranean Sea", for @DNtwit - Silver Medal at the Comic and Cartoon Art Annual 2016, Society of Illustrators, USA. FLIC.KR

 

publicado por Aristides às 15:48
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 24 de Março de 2016

Homenagem a um amigo

 Sei exactamente onde estava há dez anos atrás. Porquê? Porque há datas que ficam marcadas a fogo na nossa memória e esta é uma delas.

Infelizmente, é-o pelos piores motivos. Há dez anos partia, por vontade própria, o meu grande amigo Raul.

Em jeito de homenagem, uma bela canção que Brel dedicou a um grande amigo quando desapareceu do mundo dos vivos e que eu dedico à memória do Raul.

 

publicado por Aristides às 17:29
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
21
22
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Ameaça terrorista sobre P...

. As confusões do escrevinh...

. É oficial: acabou a corru...

. Os amarelinhos e as suas ...

. Colégios e alheiras de Mi...

. Os desertores

. O meu artigo de Maio no P...

. Acto falhado

. RIP liberdade de expressã...

. A praga dos Silvas

.arquivos

.links

.favoritos

. A morte saiu à rua

.Contador

.O Tempo

.subscrever feeds