Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

O saque não tem fim

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Navio Atlântida vendido pelo dobro do preço em oito meses.
Mário Ferreira vai vender por 17 milhões de euros o navio que comprou ao Estado, em Setembro, por oito milhões.

O Estado é mau gestor? Claro que sim, enquanto os criminosos saqueadores do erário público ocuparem lugares do Estado a tratar da sua vidinha particular e da dos seus amigos!

Cambada!

publicado por Aristides às 22:38
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Muralhas de Almeida

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 Reconstrução do Revelim da Brecha, nos anos 60

publicado por Aristides às 18:30
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Apartheid sionista

Projeto-piloto de três meses proíbe palestinianos que trabalham em Israel de usar os mesmos autocarros que os israelitas para voltarem para casa. Já faltou menos para obrigar a população palestiniana a usar um crescente amarelo cosido na roupa!

Que governo é este o de Israel que toma uma medida destas, verdadeiramente segregadora de grande parte da população, tal como acontecia na África do Sul do apartheid?

Não seria de esperar um indignado coro de protestos, vindo dos que se arvoram como os legítimos donos e únicos credenciados para passar atestados de Democracia? Já ouviram o Obama ou a Merkel comentarem isto?

Isto está a ficar muito, mas muito perigoso. Quando a Europa e os EUA promovem e aceitam um regime neo-nazi na Ucrânia e aprovam e sustentam um regime como o de Israel que tem uma ministra da Justiça que defende o genocídio dos palestinianos e os proíbe de andar nos mesmos autocarros que os isaraelitas, o que podemos esperar do futuro?

publicado por Aristides às 12:27
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Agora só queremos o 35!

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publicado por Aristides às 13:21
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Sábado, 16 de Maio de 2015

Existirmos a que será que se destina?

Ao meu amigo Paulo Amorim, que não soube encontrar a resposta. Em memória também de outros amigos que, por vontade própria, ficaram pelo caminho.

publicado por Aristides às 14:48
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Almeida antiga - Quartel das Esquadras

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publicado por Aristides às 18:34
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O meu artigo no Praça Alta de Maio

O meu mundo não é deste reino

 

Não serei só eu a ter este tipo de sensação: o de olhar para a comunicação social e não ver mais que futilidades, idiotices, insignificâncias, mediocridades, tudo isso servido como o supra-sumo do que deve ser consumido.

Começo com um exemplo, para me fazer compreender melhor. Desde há meses que o nome de uma senhora, pelos vistos, célebre, me é imposto diariamente quando abro o computador e acedo a um qualquer motor de busca. Centenas de notícias depois, publicadas sempre em local de destaque e de que apenas lia os títulos (não há como evitar), acabei por fixar o nome da madame em causa (socialite, como agora é de uso dizer-se): Kim Kardashian. Alguns dos leitores podem não reconhecer este nome, ou por não acederem à Internet, ou por serem muito, mas muito, distraídos. Perguntarão, como eu fiz para mim próprio, tantas as vezes que a senhora aparecia em lugar de destaque, o que fará ela, que profissão terá, o que a diferencia do comum dos mortais, para além das descomunais formas que as plásticas e o silicone lhe proporcionam.

Pois bem, o grande contributo para a sociedade, pelo qual é premiada diariamente com primeiras páginas por esse mundo fora e com convites para festas deslumbrantes, é fazer parte de um reality show nos Estados Unidos da América, parece que de grande sucesso. A senhora pinta o cabelo: notícia de destaque!; a senhora aparece com um vestido transparente: notícia de destaque!; a senhora ameaça que vai publicar um livro com selfies (dela, claro): notícia de destaque! Etc., etc., etc.

Em tempos, ainda pensámos que quem era digno de relevo e de homenagens, eram aqueles que contribuíam para que a Humanidade se afastasse destes modelos de irracionalidade, de incultura e de puro espavento. Eram aqueles que com arte, ciência, cultura, humanismo, fizeram e fazem com que nos distanciemos cada vez mais de um passado simiesco e quadrúpede, para atingirmos, mais do que o bipedismo erecto do Homo sapiens, a estatura cultural da Humanidade civilizada que deveria ser apanágio do século XXI.

Não culpemos a inútil e fútil Kardashian pela irrespirável atmosfera que se abateu sobre nós. Afinal, ela é tão vítima como nós da barbárie institucionalizada que nos tiraniza. Uma vítima, apesar de tudo, que gosta de o ser e muito mais bem paga do que nós, simples e simplórios espectadores.

Para colher mais exemplos da degradação ética (e estética) a que chegámos não são necessários esforços desmesurados, basta abrir o jornal, ligar a TV, aceder à Internet.

Ficamos a saber que Irina Shayk já esqueceu o Cristiano Ronaldo e já saiu não sem quantas vezes com um gajo que, pelos vistos é célebre, mas não conheço de lado nenhum; ficamos a saber que com Cristiano se passa precisamente a mesma coisa; ficamos a saber qual é o nome da princesa que acaba de nascer no Reino Unido e cuja gestação acompanhámos quase à semana. Ah! E o David Beckam fez, parece que quarenta anos, e lá surgiu com a sua Victoria a fazer o beicinho da moda para os fotógrafos (era imperdoável se o dia de anos do David nos escapava!).

Mas mais, muito mais do que isto! Não só até à exaustão, mas até ao vómito!

E este cultivar da imbecilidade, objectivo programático de todos os meios de comunicação social, tem outras vertentes e outras nuances. Passa, por exemplo, pelo facto de uma obra de arte nunca ser notícia ou dada a conhecer como tal, a não ser porque atingiu um valor recorde de x milhões de euros num leilão de uma casa de leilões mais conhecida do que o genial autor da obra. Nada disto é inocente! Quando José Rodrigues dos Santos (ou outro que tal) mostra uma obra de Miró ou de Picasso associada a astronómicos e reluzentes números de muitos dígitos, sabe que está a contribuir ainda mais para o divórcio, já de si fomentado pela falta de formação e informação, entre o povo e a cultura. Sabem disso mas insistem!

Insistem, por prazer ou espírito de missão, em valorizar uma obra de arte, não pelo seu valor artístico, estético ou cultural mas pelo seu valor monetário. E este é o caminho mais curto para a elitização cultural e o afastamento das pessoas da fruição cultural que conduzirá, como sempre aconteceu, à ignorância cultivada, cadinho onde se formam a intolerância, a violência, a xenofobia, todos esses males cada vez mais presentes na rua desta aldeia global que é o Mundo.

Acho, por isso, que um desígnio nacional, para o qual, contudo, dos poderes instituídos não podemos contar senão com forte oposição, seria uma aposta forte na Cultura, na fruição e na formação cultural das pessoas. Para os nossos governantes, esta ideia é quase heresia. Para eles, como o vêm dizendo com frequência diária, a Cultura que se transmite em grande parte, mas não só nem principalmente, nas universidades, só faz sentido se os saberes transmitidos puderem ser aproveitados pelas empresas para gerarem lucros.

Quando ouço isto fico aterrado. O saber técnico, o saber fazer são importantes, sem dúvida. Mas de pouco servirão ou serão muito mal utilizados, se não forem enquadrados pelos ideais humanistas, pelos valores que de há séculos, elevam o Homem a patamares cada vez mais distantes de um passado de barbárie.

Enfim, o panorama geral da nossa comunicação social dominante levou-me a estas simples reflexões sobre um problema que nos deve preocupar a todos, especialmente aqueles que não se revêem na idiotice mediática que, como mancha de crude no mar, se vai espalhando e mata tudo com a sua presença.

Decididamente, sinto-me cada vez mais estranho no meio desta realidade.

Fica o desabafo.

publicado por Aristides às 18:28
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

Os mamilos das Mulheres de Argel

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A pintura de Picasso "As mulheres de Argel" está a ser conhecida e noticiada pelas piores razões. Primeiro, porque vivemos numa sociedade que se está nas tintas para a Cultura e para a qual as obras de arte só têm valor monetário e quando esse valor atinge números astronómicos, então sim, já vale a pena falar dela.

O que eu não esperava era que uma  estação televisiva do país mais avançado do mundo tivesse problemas com o quadro e o considerasse imoral, qual Ilha dos Amores para Salazar. Acontece que nem o Salazar se atreveu a cortar ou tapar pudicamente o mais famoso canto dos Lusíadas. Aconselhava, de forma contraproducente como nós todos sabemos, a passar-lhe por cima, o que o terá transformado no canto mais lido de sempre dessa obra maior de Camões e da cultura universal.

Pois bem, o censor de serviço da FoxNews resolveu tapar os mamilos do quadro de Picasso, com receio, quiçá fundado, de perverter a tão bem formada juventude norte-americana.

 "Quão sexualmente doentes são os conservadores e a Fox News?" atirou, certeiro o crítico de arte Jerry Saltz.

publicado por Aristides às 18:33
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Almeida antiga

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publicado por Aristides às 18:36
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Morrer do mal ou da cura

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O primeiro-ministro disse que o seu governo tem um objectivo: "vencer a doença, não é o de perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor ou se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago ou qualquer outra coisa, quer dizer, se os efeitos secundários de todo o processo por que se passa valem ou não valem a cura".

Ainda bem que não foi para médico, como parece que quis, segundo Pacheco Pereira que fez o favor de ler o famoso "Somos o que escolhemos ser". A esta hora tínhamos uma série de doentes com úlcera gástrica, mas curados da dor de cabeça; muitos pacientes sem uma perna, mas curados dos joanetes; ou ainda, sem dentes, mas curados de uma aborrecida cárie.

Enfim, para o nosso primeiro-ministro o tratamento pode ser violento, doloroso, cheio de efeitos secundários, mas o que interessa é o grande objectivo, o que no caso português nem sequer está muito claro, já que quanto ao controle da dívida pública ou diminuição do desemprego,estamos conversados.

Creio bem que, se o paciente morrer, isso não causará insónias ao presidente do conselho de ministros.

publicado por Aristides às 18:31
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Comentadores de segunda

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 O aproximar das eleições está a deixar os "liberais" da nossa praça à beira de um ataque de nervos, como se diz na era pós-almodovareana. Estão cada vez mais liberais e menos democratas. Estão com medo que as fantásticas medidas da bem sucedida política dos últimos quatro anos, sejam comprometidas pelo voto dos que acham que basta de austeridade e que é necessária uma política que pense nas pessoas e não nos grandes interesses económico-financeiros.Uma chatice, as eleições!

O senhor que aí está em cima, acode ao nome de Paulo Pereira de Almeida e escrevinha no Diário de Notícias. É peão de brega do comentarismo político, cujas análises nunca saíram nem sairão da medíocre penumbra duma página do interior profundo do DN.

Gasto algum latim com ele porque o tom da sua croniqueta de hoje vai, sem dúvida, ser usado mais vezes por esta segunda linha de comentadeiros. A escrita do  fulano tem a ver com a sua catadura de paciente de úlcera gástrica: é azeda e mal-disposta. Acha ele que a esquerda (enfim, uma generalização também ela abusiva) está com uma dinâmica que lhe poderá dar a vitória nas eleições e consequentemente deitar por terra os magníficos resultados de tantos sacrifícios, porque os eleitores não são suficientemente sabedores das aleivosias perpetradas pelos ditadores comunistas, por esse mundo fora.

Começou aquilo que parece ser uma série de crónicas que vão dar a conhecer, definitivamente, o mau carácter de tais facínoras, pelo ex-líder cubano (who else?) Fidel Castro. E recupera um livro escrito por um sujeito que afirma que já foi seu guarda-costas e editado por outra ex, a inefável Zita Seabra. O Paulo aconselha vivamente a leitura do livreco, porque está plenamente convencido, que essa leitura dissuadirá qualquer pessoa de votar à esquerda do PSD nas próximas eleições.

Ainda me lembro de quando o tal guarda-costas andou por aí a ser entrevistado caninamente pelas televisões e jornais. Mas aquilo era tão mau que até os jornalistas se envergonharam do papel que estvam a fazer e o fulano esfumou-se tal como apareceu. Até ser recuperado pelo nosso Paulo...

Só a título de exemplo, refiro aqui algumas pérolas que me deixaram perplexo, imediatamente antes de me começar a rir: um dos episíodios que contou, foi quando Fidel ia mergulhar para a sua ilha privada e secreta e ele tinha como função mergulhar com o Comandante para afugentar os tubarões. É de homem! Também contou que Fidel bebia, diariamente, três ou quatro garrafas de whisky. Velho, sublinhava, reprovador.

Contou mais coisas do género, mas eu fico por aqui, porque as anedotas devem ser contadas com parcimónia.

publicado por Aristides às 18:36
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Justificação (fraca) de faltas

Eu blogger me confesso e penitencio. Foram muitos dias de abandono do Blogue do Castelo, ainda por cima deixando passar em claro essas duas datas maiores do nosso calendário, por enquanto com o estatuto de feriado: o 25 de Abril e o  1º de Maio.

Poderia apontar várias razões  para explicar este interregno, mas desconfio que as posso resumir ao desleixo e à preguiça (para quê tentar enganar-me?).

Poderia até prometer que vou passar a ser mais disciplinado e metódico e jurar que, a partir de agora, a actualização vai ser diária, mas como já pude comprovar várias vezes, não sou de confiança. Bem, mas posso prometer que me vou esforçar, isso posso!

Aproveito, pois, a hora da marmita para postar a minha justificação de faltas e chamar a  atenção para o post de logo à tarde e dos que se vão seguir nos dias posteriores.

Mantenham-se atentos!

publicado por Aristides às 12:17
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

Almeida antiga

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publicado por Aristides às 19:05
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PS à esquerda

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 "PS encosta à esquerda e assume rutura absoluta com políticas de Passos" diz o título do DN de hoje.

Pois é! Este é o problema de sempre do PS: fazer campanhas eleitorais à esquerda e governar à direita assim que assume o governo. Deixo aqui uma pergunta: há alguém, mesmo sendo do PS, que duvide do que afirmei?

publicado por Aristides às 18:54
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Diz que hoje é o Dia da Terra

 No Dia da Terra, uma das mais belas canções que já se escreveram em seu louvor e Caetano no seu melhor.

publicado por Aristides às 18:28
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Terça-feira, 21 de Abril de 2015

Almeida antiga

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publicado por Aristides às 18:15
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

Um genocídio em curso

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A propósito do drama constante que ocorre no Mediterrâneo, tenho ouvido as coisas mais incríveis. Os chefes de governo da Europa, mais em contacto com a tragédia, estão aterrorizados, não sei se com o drama em si se com a sua mediatização que não lhes dá propriamente uma boa imagem. Infelizmente, os responsáveis políticos desta choldra que dá pelo nome de União Europeia, acham que os responsáveis pela imigração ilegal e pelos naufrágios do Mediterrâneo são as redes ilegais de tráfico de pessoas e já começaram a prender uns alegados envolvidos com a televisão por perto.

Eu já não sei se nos tomam por idiotas ou se são, eles próprios os verdadeiros idiotas. Já começo a pensar que a generalidade dos governantes desta Europa não são grandes devedores à inteligência. Ouvi há pouco os primeiros ministros francês e italiano cupabilizar os responsáveis pelas redes de imigração ilegal pelas tragédias diárias daquele que já foi o Mare Nostrum romano. Transpondo este raciocínio para a nossa realidade, é o mesmo que responsabilizar os passadores de Vilar Formoso por quase toda a gente querer sair de Portugal na década de 60. Francamente!

Em contrapartida, acabo de ouvir a Constança Cunha e Sá pôr o dedo na ferida e responsabilizar, sem papas na língua, a União Europeia e os EUA pela desestabilização dos países do norte de África e a Líbia em particular, causas próximas (essas sim!) de tudo o que se está a passar.

Bem podem limpar as mão à parede!

publicado por Aristides às 21:24
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Os novos bárbaros

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Os novos bárbaros continuam, impunes, a destruir a memória da Humanidade e tudo o que tenha um vago odor a Cultura.

Aquilo que vamos vendo, publicado no Youtube pelos próprios, numa pretensa glorificação do crime cometido, são umas hordas de selvagens tentando apagar da face da terra marcos civilizacionais de reconhecida relevância.

E o que vemos, embora condenável, muito mais do que as palavras e as leis o possam determinar, não deixa de ser compreensível, se nos soubermos colocar na posição dos criminosos. Reparem: não será natural que estes delinquentes vejam com raiva que 3000 anos antes deles havia gente muito mais civilizada e culta do que eles?

É até compreensível que desejem aniquilar todos os vestígios que confirmem que eles, os autoproclamados intérpretes duma imperscrutável vontade divina, são um erro de evolução, um acidente dramático na caminhada da Humanidade para estádios mais avançados de civilização.

Como explicariam eles, bestas fardadas que pouco mais saberão dizer que o nome do seu(?) profeta, estarem, não a anos, mas a séculos-luz dos seus antepassados de há três milénios atrás?

E o crime, hediondo e sem perdão, faz-nos arrepiar de horror a cada marretada numa peça de arte, a cada pazada de caterpillar que derruba uma parede de um qualquer palácio ou templo sumérios.

publicado por Aristides às 18:16
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Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Morreu Günter Grass

O Prémio Nobel de Literatura morre aos 87 anos em Lübeck. Um dos principais escritores do pós-Guerra, criou uma polémica há precisamente três anos, quando publicou um poema criticando o governo de Israel. É claro que, quando se critica o governo de Israel, cai o Carmo e a Trindade, para não dizer que caem, bombardeadas, mais uma escola ou um hospital na Faixa de Gaza.

Foi declarado persona non grata pelos sionistas de Telaviv e proibido de entrar em Israel. Mas o que é certo é que o poema toca na ferida e por isso é que indignou tanta gente. Aqui vai o dito poema:

 

O que deve ser dito

 

Porque guardo silêncio há demasiado tempo

sobre o que é manifesto

e se utilizava em jogos de guerra

em que no fim, nós sobreviventes,

acabamos como meras notas de rodapé.

É o suposto direito a um ataque preventivo,

que poderá exterminar o povo iraniano,

conduzido ao júbilo

e organizado por um fanfarrão,

porque na sua jurisdição se suspeita

do fabrico de uma bomba atômica.

Mas por que me proibiram de falar

sobre esse outro país [Israel], onde há anos

- ainda que mantido em segredo –

se dispõe de um crescente potencial nuclear,

que não está sujeito a nenhum controle,

pois é inacessível a inspeções?

O silêncio geral sobre esse fato,

a que se sujeitou o meu próprio silêncio,

sinto-o como uma gravosa mentira

e coação que ameaça castigar

quando não é respeitada:

“antissemitismo” se chama a condenação.

Agora, contudo, porque o meu país,

acusado uma e outra vez, rotineiramente,

de crimes muito próprios,

sem quaisquer precedentes,

vai entregar a Israel outro submarino

cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras

para onde não ficou provada

a existência de uma única bomba,

se bem que se queira instituir o medo como prova… digo o que deve ser dito.

Por que me calei até agora?

Porque acreditava que a minha origem,

marcada por um estigma inapagável,

me impedia de atribuir esse fato, como evidente,

ao país de Israel, ao qual estou unido

e quero continuar a estar.

Por que motivo só agora digo,

já velho e com a minha última tinta,

que Israel, potência nuclear, coloca em perigo

uma paz mundial já de si frágil?

Porque deve ser dito

aquilo que amanhã poderá ser demasiado tarde [a dizer],

e porque – já suficientemente incriminados como alemães –

poderíamos ser cúmplices de um crime

que é previsível,

pelo que a nossa cota-parte de culpa

não poderia extinguir-se

com nenhuma das desculpas habituais.

Admito-o: não vou continuar a calar-me

porque estou farto

da hipocrisia do Ocidente;

é de esperar, além disso,

que muitos se libertem do silêncio,

exijam ao causador desse perigo visível

que renuncie ao uso da força

e insistam também para que os governos

de ambos os países permitam

o controle permanente e sem entraves,

por parte de uma instância internacional,

do potencial nuclear israelense

e das instalações nucleares iranianas.

Só assim poderemos ajudar todos,

israelenses e palestinos,

mas também todos os seres humanos

que nessa região ocupada pela demência

vivem em conflito lado a lado,

odiando-se mutuamente,

e decididamente ajudar-nos também.

Tradução para o português: Baby Siqueira Abrão

 

publicado por Aristides às 12:24
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

A essência do Capitalismo, segundo Belloso

O Diário de Notícias tem talvez o mais bem sortido friso de humoristas de toda a imprensa nacional. Semana após semana peroram nas suas colunas, para nossa instrução e gáudio, personalidades como o abominável César das Neves, o execrável Alberto Gonçalves, um Leonídio qualquer coisa. Podiam ser só estes que o humor, embora involuntário, estava garantido. Mas não, a direcção do DN  achou que não era suficiente.E vá de contratar um colunista, ainda por cima espanhol, que acode ao nome de Miguel Angel Belloso.

O homem é do mais reaccionário que há, chegando a atrever-se a lamentar a existência de eleições que irão, como ele receia, estragar o belo trabalho que os nossos governantes vêm fazendo ultimamente. Não sei, mas desconfio, como é que ele resolvia esta maçada que é a de haver democracia.

Hoje o homenzito tece loas e ditirambos ao Capitalismo, numa argumentação que em nada fica a dever à do seu émulo César das Neves. Vejam só esta pérola:

"O essencial do capitalismo não é conseguir um rendimento, mas sim dar; não é receber, mas sim prestar, esperando a justa recompensa depois de se ter satisfeito a aspiração de todos os agentes que intervêm no mercado."

O resto do artigo segue nesta tónica que já não sei se é para rir ou para chorar.

 

publicado por Aristides às 18:55
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