Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Aureas mediocritas

Bob-Dylan1.jpg

 

"A cultura "tende a converter-se em espetáculo" e aquilo que se apresenta como uma democratização cultural não é mais do que "banalização do frívolo". Estas foram as palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Nobel da Literatura em 2010, quando, ontem, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos, em Espanha. E considerou que um dos exemplos mais recentes do domínio da cultura do espetáculo é o facto de a Academia Sueca ter atribuído o prémio Nobel da literatura ao músico Bob Dylan."

 

Quero, antes de tudo dizer, que o Prémio Nobel não tem, para mim, a importância que a sua mediatização lhe granjeou. Mediatização e importância às quais não foi alheia a Guerra Fria, para a qual o Nobel contribuiu com não poucas achas para a fogueira. Quero dizer que umas vezes o acho bem atribuído, outras não e ainda muitas outras, como acontecerá com milhões de leitores, não faço ideia quem seja o laureado.

Dito isto, acrescento que discordo de Vargas Llosa quando define a atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan como uma concessão à cultura do espectáculo, classificando o contributo do cantautor como uma frivolidade. Quero crer que, se a intenção fosse essa, não faltariam candidatos, desde Madonna até Lady Gaga, para não ir mais longe.

Quem ouve rádio, lê jornais ou revistas ou tenta estar a par do panorama cultural contemporâneo, está bem longe de considerar Dylan uma presença banal ou frequente nesses meios. Não pertence ao frívolo e banal  mainstream que nos submerge como uma avalanche de aureas medocritas.

 

publicado por Aristides às 15:59
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2 comentários:
De Anónimo a 24 de Outubro de 2016 às 14:29
Se a obra de Mario Vargas Llosa é reconhecida como "...critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. Seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru.", porque não aceitar que um letrista de qualidade, mesmo ligado ao espectáculo como Bob Dylan, possa merecer tal honraria !?.
Afinal, parece que não é assim tão nobre a arte da escrita, e o que de mais pessoal (até) se queira transmitir com saber.


A B R A Ç O
De Manuel Norberto Baptista Forte a 24 de Outubro de 2016 às 14:31
Se a obra de Mario Vargas Llosa é reconhecida como "...critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. Seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru.", porque não aceitar que um letrista de qualidade, mesmo ligado ao espectáculo como Bob Dylan, possa merecer tal honraria !?.
Afinal, parece que não é assim tão nobre a arte da escrita, e o que de mais pessoal (até) se queira transmitir com saber.


A B R A Ç O

Desculpem, mas ... anónimo jamê.

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