Terça-feira, 21 de Junho de 2016

A indústria de armamento norte-americana está a produzir espingardas modificadas para meninos e pistolas cor-de-rosa para meninas.
Os fabricantes de armas dos Estados Unidos reforçaram as campanhas de marketing dirigidas às crianças com a oferta de espingardas modificadas para meninos e pistolas cor-de-rosa para meninas, refere um estudo recentemente divulgado.
Simultaneamente, foram recusadas pelos republicanos alterações à legislação alegando que iriam violar o direito constitucional que tem cada cidadão ao porte de arma: a preocupação dos republicanos relaciona-se com a possibilidade de os norte-americanos erradamente referidos nas listas de suspeitos de terrorismo, por exemplo, ficassem impedidos de exercer o seu direito de comprar uma arma.
Compreende-se: um suspeito de terrorismo não é exatamente um terrorista. Logo, não se pode perder a oportunidade de fazer negócio só porque alguém é suspeito, além de que se estaria a violar os seus direitos.
Se depois o suspeito pega numa arma e decide ir a uma discoteca matar 50 pessoas, é o menor dos males! O importante é que ninguém lhe negou o sacrossanto direito de poder andar armado. E, claro, sempre pode ir treinando desde pequenino...
Afinal, os EUA são um país livre ou não?
(Lembram-se da piada do Juca Chaves "Aos seis anos eu era o único miúdo da minha rua com uma pistola verdadeira. Uma semana depois, eu era o único miúdo da minha rua..."?)
Segunda-feira, 20 de Junho de 2016
O Público anda a portar-se muito mal, especialmente neste caso dos colégios privados. Tem lá uma jornalista, Clara Viana, que decidiu vestir a camisola amarela dos privados e dar notícias vesgas, deturpadas e mentirosas. Gabriela Canavilhas, através do Twitt, teve uma reação normal a tanta desonestidade profissional da dita jornalista. Foi então que o Público, num editorial tosco e miserável, tentou justificar o injustificável e atacou a antiga ministra da Cultura.
Editorial tendencioso e deturpador. Desculpa a jornalista Clara Viana por ter dito que ós líderes do PCP e do BE estavam no palco dizendo que afinal não estavam no palco mas estavam à frente do palco. Como quem diz: é quase a mesma coisa. Mas não é a mesma coisa!
Depois fala dos números da organização e da PSP dando a entender que a jornalista do Público é isenta e quis ouvir as duas partes. Mas é mentira, porque a PSP não dá, há muito, números de manifestantes. E no texto refere que aqueles 15 mil lhe foram dados por um responsável da Polícia. Acho que, aqui chegados, já todos sabemos quem é o "responsável da PSP" ouvido pela jornalista. Mas o curioso é que, na manif dos colégios, a mesma jornalista assumiu, em título da notícia, o número de 40 mil dado pela organização, agora sem o contraponto nem a preocupação de ouvir o tal "responsável"!
Lamentável é a sucessão de artigos de Clara Viana em que ficou claríssima a sua posição nesta polémica, por mais que o editorial do Público a tente desculpar atirando na direção de Gabriela Canavilhas. Se quer dar a sua opinião que arranje um espaço no jornal que certamente lhe será atribuído pelos serviços prestados à "causa".
Domingo, 19 de Junho de 2016

Chico de Hollanda, de aqui e de alhures
"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloqüentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."
Ruy Guerra, cineasta e escritor.
Sexta-feira, 17 de Junho de 2016
Tempos de entropia
No mês em começa o Verão, outrora um deserto de notícias em que os meios de comunicação social tinham que inventar escândalos e rebuscar acontecimentos que pudessem manter acesa a atenção mediática, os motivos de preocupação adensam-se e são mais que muitos.
O que se vive na Europa não pode deixar ninguém indiferente ou descansado. Na Áustria um partido de extrema direita, neonazi e xenófobo, perdeu as eleições presidenciais por uma unha negra, motivo de satisfação moderado já que impugnou as eleições por suspeitas de irregularidades o que mantém em suspenso todos aqueles que veem com preocupação o alastrar da ideologia que contribuiu para uma das maiores catástrofes do século XX e da história da Humanidade. Infelizmente, os eleitores, mais sensíveis ao imediato do que aos movimentos históricos, dão cada vez mais poder ao ódio e à intolerância.
Na Turquia, parceiro da Europa, membro da Nato e sempiterno candidato à entrada na União Europeia, sucedem-se os atentados à mesma velocidade com que se dá a deriva radical do presidente Erdogan, que vem assumindo posições de um fundamentalismo islâmico cada vez mais longe da moderação que a situação internacional exigiria.
Os refugiados continuam a afogar-se no Mediterrâneo numa rotina tantas vezes vista que quase já não causa comoção numa opinião pública cada vez mais insensível à hecatombe que acontece perante os seus olhos, já não incrédulos mas cansados. Os atentados do Exército Islâmico são a espada de Dâmocles que pesa sobre as nossas assustadas cabeças, ainda por cima à beira de um acontecimento desportivo que vai juntar multidões, como é o campeonato da Europa de futebol. A visibilidade do evento, transmitido para todo o Mundo, transforma-o numa apetecível oportunidade para quem faz do terror cego o seu modus operandi.
O Reino Unido, numa iniciativa inédita nos países que compõem a União Europeia, resolveu consultar os seus cidadãos sobre a permanência ou não naquele clube que parece ter mais atractivos para os de fora do que para os que estão dentro. Sempre gostaria de ver os resultados de um referendo feito em todos os países membros que questionasse os cidadãos sobre a permanência o não na UE. Esse é o pior pesadelo da elite eurocrata que impera em Bruxelas e Berlim.
Se os britânicos votarem pelo Brexit, ou seja saída da UE, muita confusão isso vai gerar no burocrático aparelho duma organização que já foi sonho para alguns idealistas mas agora não é mais do que um pesadelo para países e governos que perderam autonomia e se encontram pressionados e constrangidos por legislação muitas vezes absurda e incompreensível, sendo simultaneamente facilitadora dos grandes negócios e penalizadora dos trabalhadores.
Nos EUA vivem-se tempos perigosos e decisivos tanto para o seu próprio futuro como para o do resto do Mundo. Pela primeira vez pode o presidente dessa superpotência imperial ser uma mulher, o que constituirá um facto histórico mas não é nem poderia ser nenhuma ruptura com as políticas dos antecessores, salvo alguma questão de estilo. Em contrapartida pode ser eleito um candidato verdadeiramente perigoso pelas ideias retrógradas que bolça e de que se ufana e pela responsabilidade de que poderá ser investido como presidente dos EUA. A perspectiva de ser eleito é, na verdade, assustadora para um mundo que não precisava nem de mais incendiários nem que alguém deitasse mais gasolina numa fogueira sem fim à vista.
No Brasil a confusão generaliza-se com cada vez mais casos de corrupção envolvendo altas figuras do Estado a virem a público. Depois da suja campanha contra Dilma em que os seus opositores garantiram ao mundo que bastava a sua destituição para que o Brasil voltasse a ser um país sem problemas e abençoado por Deus, as coisas só pioram. Afinal, os que a traíram e os seus adversários têm a folha criminal bem mais suja do que a antiga presidente.
O panorama, pelo que observamos todos os dias não é famoso, correndo-se até o risco, bem palpável, de piorar.
No meio disto tudo os senhores de Bruxelas andam entretidos com uma coisa realmente importante: devem ou não castigar Portugal por um desvio de duas décimas do défice orçamental de 2015?
Como é bom pertencer a este paraíso que é a União Europeia!
Quinta-feira, 16 de Junho de 2016
"Na reacção à tragédia de Orlando, Trump reiterou a defesa de que seja proibida a entrada de muçulmanos nos EUA, acusou os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos de dedicarem protecção aos radicais e exemplificou que, caso alguém no interior do bar onde tudo aconteceu estivesse armado, o massacre não atingiria as proporções que registou."
Mais umas idiotices vindas daquela cabeça que parece ter como única função ser a base da mais ridícula cabeleira do hemisfério norte. Acontece que, á semelhança de todos os que defendem a livre uso e comércio de armas nos EUA, repete o argumento de que se houvesse alguém armado em cada um dos inúmeros massacres que vêm ocorrendo nos EUA, podia eliminar o criminoso.
Argumento estúpido quanto a mim. As pessoas poderem andar com armas não é o mesmo que terem que andar com armas e o argumento só serviria se todos andassem armados e à espreita de um um gesto suspeito do seu vizinho do lado para o abater e se transformar assim no herói dos telejornais da noite.
E, mesmo que fosse assim, nada garante que a situação se resolvesse sem um banho de sangue ainda maior. Mas enfim, o lobby das armas é poderosíssimo e vamos continuar a assistir, periodicamente, a estes crimes hediondos e contudo evitáveis.
Quarta-feira, 15 de Junho de 2016
Auditoria - Excedente da ADSE utilizado para baixar défice
O Tribunal de Contas vem dizer-nos que o governo PSD/CDS utilizou verbas da ADSE para diminuir artificialmente o défice. Em causa está um memorando, assinado em setembro de 2015 pelo governo de Passos Coelho e pelo diretor-geral da ADSE que autorizou a passagem de 29,8 milhões de euros da conta da ADSE para financiar o Serviço Regional de Saúde da Madeira, "descapitalizando" este subsistema público.
Até aqui nada de novo. Do anterior governo tudo se esperaria e resta-nos saber o que ainda está para surgir à luz do dia.
Contudo, isto levanta uma questão, quanto a mim bastante curial. A utilização destes truques para, de forma artificial e enganosa, diminuir o défice e podermos apresentar em Bruxelas umas folhas Excel muito bem organizadas e com as contas em ordem, não é de agora. Outros governos o fizeram, sempre com resultados imediatos, mas com efeitos de médio e longo prazo desastrosos. Desde a nacionalização de fundos de pensões privados que, embora trazendo de imediato grandes somas de dinheiro aos cofres do Estado, aumentam as suas responsabilidades e despesas lá mais à frente, até à antecipação de receitas e diferimento de despesas entre uns anos e outros, muitas têm sido as provas dadas por ministros e tecnocratas de uma criatividade e inventiva assinaláveis.
Quero crer que outros países farão da mesma maneira. Ora, tudo isto resulta em contas com muito pouca adesão à realidade. São truques que mascaram a real situação das contas públicas, conhecidos por todos e aceites, tacitamente, pelas entidades europeias encarregues de zelar pela boa saúde financeira dos estados membros.
Além da hipocrisia que tudo isto representa e pondo de lado as questões morais que para aqui não são chamadas, da seriedade e honestidade destes procedimentos, ficam as perguntas: será saudável para a economia e as finanças de um país mistificar desta forma a realidade? Depois destas notícias, ainda nos querem fazer crer que o limite de 3% para o défice, exigido por Bruxelas, tem algum fundamento seja de que tipo for? Não seria uma boa ideia abandonar esse dogma dos 3%, afinal desprezado por todos, como se comprova?
Sexta-feira, 3 de Junho de 2016

"Um estudo da Infraestruturas de Portugal, encomendado pelo anterior Governo, sobre a descida dos preços nas antigas SCUT, defende que a medida aumentaria as receitas com portagens, informação confirmada pelo atual executivo.
O estudo, a que a TSF teve acesso e hoje divulgou, foi realizado a pedido do anterior Governo PSD-CDS, embora as suas conclusões nunca tenham sido conhecidas, nem sido colocadas em prática, surgindo agora, numa altura em que o atual executivo já anunciou que vai descer as portagens em algumas SCUT, embora ainda não tenha revelado quando, nem os valores."
Quem circulava nas ex-SCUT's antes e depois da introdução da portagens não pode deixar de reparar na diminuição drástica do tráfego, tal era a sua evidência. Todos sentiram também as consequências na economia do Interior provocadas pela retracção de visitantes, turistas, até mesmo de pessoas originárias do Intrior e a viver no Litoral, que passaram a visitar muito menos vezes o local de origem e os familiares aí residentes.
Isso são evidências. O que me chamou a atenção na notícia da TSF foi aquele "pormenor" em que se refere que o estudo foi encomendado pelo anterior governo que, todavia, nunca chegou a publicar as suas conclusões. Que conclusão retiramos? Que o governo de Passos e Portas preferia castigar e penalizar os portugueses, diminuindo-lhes o rendimento e aumentando-lhes as despesas, mesmo que isso fosse prejudicial para o próprio Estado!
Tenho dificuldade em classificar esta postura sem recorrer a uma linguagem mais desbragada e vernácula, por isso e a benefício da civilidade, fico-me por aqui.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2016
"Um menino norte-americano de cinco anos telefonou para o 911, o número de emergência nos Estados Unidos, para denunciar a contraordenação que o pai cometeu ao volante horas antes.
A polícia da cidade de Quincy, no Massachusets, Estados Unidos, divulgou o áudio de uma chamada feita por um menino de cinco anos, que decidiu denunciar o próprio pai quando o viu passar um semáforo que estava vermelho.
A criança de cinco anos não gostou da infração e decidiu informar as autoridades do sucedido."
As redes sociais, os telemóveis e os computadores, aliados ao politicamente correcto e ao falso moralismo apregoado urbi et orbi, ainda acabam por fazer de nós delatores e bufos.
Quarta-feira, 1 de Junho de 2016
A miudagem do PSD, talvez com o nobre intuito de comemorar o Dia Internacional da Criança, saiu-se com mais um cartaz alusivo ao governo e seus apoios, utilizando referências imagéticas a um jogo de smartphone. Tal como acontece quando se lida com crianças, mais uma vez saiu borrada.
Já nem falo na mensagem do cartaz ou no seu conteúdo, pobre, radical e primário como é de uso por aqueles lados. O próprio objecto em si é de tal mau gosto que consegue ser pior do que aquele em que aparecia Mário Nogueira disfarçado de Estaline.
A falta de inspiração dos "criativos" que trabalham para aquela garotada é por demais evidente. Qual será a próxima idiotice em forma de cartaz que sairá daquelas estúrdias cabecinhas?