Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Trumpillaryces

 

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Hillary Clinton recolheu 64.227.373 votos contra 62.212.752 para Donald Trump, segundo os últimos números compilados de fonte oficial pelo Cook Political Report, divulgadas hoje.

Trump conseguiu 290 grandes eleitores contra 232 da democrata, que já reconheceu a derrota. Para vencer esta eleição são precisos 270 dos 538 que estavam em jogo.

A Democracia baseia-se na vontade da maioria, certo? Errado! A "maior" e "melhor" Democracia do Mundo tem como líder o vencedor de uma eleições, pelos vistos, muito democráticas e exemplares,  em que obteve menos dois milhões (!) de votos que a candidata derrotada.

Quem tem uma democracia asim tão, mas tão boa não admira que ande a tentar impô-la por esse mundo fora.

publicado por Aristides às 12:46
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016

O meu artigo de Novembro no Praça Alta

Especificidades da Democracia

 

Impossível evitar o assunto do momento, ou seja, o resultado das eleições nos EUA. Qualquer análise, por superficial que seja, identificará as sondagens e estudos de opinião como os primeiros derrotados daquele sufrágio. Com efeito, os estados ganhos por Trump e o número de delegados conseguidos não constava de nenhuma previsão, nem nas obtidas junto dos eleitores que acabavam de votar. Esta circunstância acaba por ser bastante estranha, já que as sondagens à boca das urnas são das mais fiáveis e precisas.

Sem me basear em nenhum estudo ad hoc, tenho uma opinião sobre esse facto: muitos norte-americanos, mesmo depois de terem votado em Donald Trump, não se achavam confortáveis com isso e sentiam-se até intimamente envergonhados com o que viam como algo de reprovável. Não me admiraria encontrar nos EUA de 9 de novembro o mesmo sentimento do day after do Brexit. Muitos britânicos votaram pela saída da Grã Bretanha da União Europeia como forma de protesto contra os “políticos” nunca pensando que esse voto poderia sair vencedor. Daí a estupefação e arrependimento de alguns deles quando viram a saída confirmada.

Acredito que muitos norte-americanos, apesar de profundamente reacionários, votaram em Trump para protestar contra o “sistema”, os “políticos” e a odiada Washington, nunca imaginando que estavam a eleger alguém completamente desclassificado para um cargo tão poderoso quanto perigoso. Se assim foi, como creio que foi, é tarde para arrependimentos.

As presentes eleições levantam, contudo, uma outra questão de enorme importância que tem a ver com o sistema eleitoral que vigora naquela super potência. Todos crescemos a ouvir por todo o lado que os EUA são, não só a maior democracia do Mundo, como a melhor. Estamos cansados de ouvir falar no sonho americano e de como toda a gente pode atingir os seus sonhos, por mais desmedidos que sejam, se acreditar muito nisso e lutar por eles. E dão até o exemplo de como Obama, um negro, vejam só!, conseguiu chegar à Casa Branca. Não falando já de quão perigosa é essa treta dos sonhos, não podemos esquecer que o que levou Obama à presidência, assim como todos os outros antes dele e os que lhe seguirão, são os muitos milhões de dólares que patrocinadores, apoiantes e lobbies estão dispostos a desembolsar.

Vejamos agora a questão da Democracia e da sua decantada qualidade. Pela segunda vez, em cerca de quinze anos, chega à cadeira presidencial o candidato com menos votos escrutinados. É o sistema de eleição indireta que se baseia em eleger delegados, estado a estado, para o Colégio Eleitoral, dizem-nos os comentadores sem o mínimo sinal de comoção ou de desaprovação. Um ou outro politólogo norte-americano repara na incongruência e esboça um tímido arremedo de crítica e de sugestão para mudar as coisas. Compreende-se: um país que enche a boca de Democracia, que a espalha urbi et orbi nem que seja à bomba, e que intramuros dá a vitória ao candidato menos votado, não será um exemplo de coerência que mereça ser emulado. Mas logo vem a sacrossanta, glorificada e intocável Constituição que se ergue como obstáculo intransponível e, portanto, perpetuadora destes aparentes paradoxos.

Ora, no caso vertente da eleição que opôs Hillary a Trump, aquela teve, no conjunto do país, mais cerca de meio milhão de votos que o seu opositor. Não é muito, dirão alguns. Pois não, não é muito, mas é mais. E, segundo creio, democracia tem a ver com a vontade da maioria.

(Parece que já estou a ouvir algumas vozes que, com grande imaginação e alguma má fé à mistura, comparam essa especificidade norte americana com a solução governativa encontrada em Portugal há um ano atrás. Ora as situações além de não serem comparáveis, são até antagónicas. Nós, por cá, temos um governo de um partido, mas sustentado numa maioria parlamentar, por sua vez escorada numa maioria de votos a nível nacional. Haverá alguma similitude nas situações? Afinal, a questão nem é da esfera política, é simples aritmética. Dá para perceber, ou não?)

O que me admira é esta contradição insanável não merecer dos encartados apoiantes do regime de Washingtin DC que enxameiam os meios de comunicação social um vestígio de crítica ou desagrado.

São estas especificidades da democracia made in USA que me deixam estupefacto! Enfim, medianamente estupefacto.

 

publicado por Aristides às 13:46
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

Imbecilidades racistas

A diretora da organização Clay County Development Corporation, Pamela Ramsey Taylor, está no centro da última polémica que envolve Michelle Obama. A responsável pela entidade sem fins lucrativos, sediada nos subúrbios de Charleston, escreveu no Facebook uma crítica à mulher do presidente dos EUA em funções: “Vai ser tão revigorante ter uma primeira-dama elegante, bonita, digna primeira-dama de volta à Casa Branca. Estou farta de ver um macaco de saltos altos”. in Jornal Económico

Que o racismo existe e se mantém, muito para além das leis que formalmente o deram por extinto, não é novidade nenhuma. Principalmente nos EUA em que, já há muito passado o equador do século XX, os negros ainda não podiam frequentar as mesmas escolas dos brancos nem os mesmos transportes públicos. Hoje, as leis já não são segregacionistas, mas é-o a prática policial e jurisdicional. Basta ver o número de negros mortos pela Polícia, ou a percentagem de negros na população prisional ou de inquilinos dos corredores da morte.

O problema que agora se põe é o racismo e a xenofobia estarem respaldados ao mais alto nível nos EUA. O que fará (já está a fazer) com que se crie um ambiente hostil e potencialmente violento à volta das populações negras, hispânicas, árabes, etc. Todos sabemos como a opinião pública é sugestionável e a americana, com a sua fraquíssima cultura, por maioria de razões.

Não é por acaso que a Ku Klux Klan apoiou o candidato Trump e convocou um comício para festejar a sua vitória. Nem é por acaso que Trump tenha convidado para seu assessor um indíviduo conhecido pelas suas ideias supremacistas e nazis.

Nem é por acaso que alguns imbecis se sintam no direito de escrever as barbaridades de que a imprensa hoje dá notícia.

publicado por Aristides às 13:23
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Ooops...they did it again!

 

"Na quarta-feira à tarde, a candidata democrata à Casa Branca recolhera mais cerca de 200.000 votos que o multimilionário populista - 59.689.819 contra 59.489.637 -, uma gota de água considerando os cerca de 120 milhões de boletins de voto depositados nas urnas das presidenciais, mas que lhe permitirá, contudo, sublinhar que obteve maior aprovação do eleitorado.

Se se tratasse de um escrutínio por sufrágio universal, a ex-primeira-dama teria sido eleita para a Casa Branca com 47,7% dos votos, contra os 47,5% de Trump.

Para Robert Schapiro, professor de Ciência Política na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, deveriam levantar-se muitas vozes para exigir uma revisão deste "sistema eleitoral abstruso".

"Poderá haver reivindicações, mas elas acabarão por desaparecer", sustentou, sublinhando que uma alteração ao modelo do colégio eleitoral obrigaria a uma alteração da sacrossanta Constituição dos Estados Unidos, uma tarefa delicada.

"Isto (este resultado] questiona até que ponto é que o nosso sistema é democrático", reconheceu, todavia.

Antes desta vitória eleitoral de Donald Trump, outro republicano, George W. Bush, venceu as presidenciais, em 2000, contra o democrata Al Gore, embora tenha sido o candidato menos votado: Al Gore obteve 48,4% dos votos e Bush apenas 47,9%." in Diário de Notícias

Afinal, contrariamente ao que escrevi aqui ontem, confirma-se que ganhou a presidência da maior (e melhor!) democracia do mundo o candidato em quem menos gente votou! O país que gosta de exportar o seu maravilhoso sistema, nem que seja à bomba, para todo o mundo, tem, pelos vistos, que rever o seu próprio conceito de democracia.

 

publicado por Aristides às 08:58
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

O triunfo dos Trump's

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O mundo bempensante está indignado e estupefacto! Como é que uma excrescência politicamente incorrecta, desbocada, perigosa e inconveniente chegou à Sala Oval e à cadeira mais poderosa do mundo? Não faltarão Rogeiros e Ratos para nos explicarem o que correu mal. Vá lá, que desta vez o vencedor foi o que teve mais votos. Já aconteceu a Al Gore vencer as eleições e ver George W. Bush ascender à presidência. Coisas da Democracia made in USA.

A campanha do mal menor não funcionou, os resultados das sondagens insinuam que quem votou Trump teve vergonha de o assumir, ficou, enfim, demonstrado o carácter profundamente reaccionário da América profunda.

As bolsas tremeram mas não tardarão, com o seu apurado sentido de sobrevivência, a cavalgar a onda ultra-neo-conservadora. Não faltarão também nas passereles da moda, modelos com cabeleiras à Trump nem imensa gentinha a copiar os vestidos da próxima first ladie, Melania. Esta sim, uma imigrante aceitável e bem sucedida!

publicado por Aristides às 13:58
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2016

Trump e as armas

O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, foi retirado do palco por agentes dos Serviços Secretos norte-americanos devido a uma alegada ameaça durante um comício em Reno, no estado do Nevada, no sábado.Enquanto discursava, alguém terá gritado "arma".

Não percebo como é que a suspeita de estar alguém armado num comício de Trump pode ser considerado preocupante. Não é ele que defende o direito sagrado de cada americano em poder usar armas? Não é ele o candidato da NRA (National Riffle Association), a poderosa organização de extrema direita que faz lobbie contra tudo o que signifique restringir o uso indiscriminado de armas, responsável por centenas ou milhares de vítimas todos os anos nos EUA?

Pior do isso é o apelo do candidato a que as milícias armadas que proliferam em várias zonas dos EUA façam vigilância nos locais de voto, com o intuito de denunciar possíveis falcatruas que o impeçam de ser o próximo presidente do Império. Com essa atitude está a deitar mais gasolina no fogo, como bom pirómano que demonstrou ser.

 

publicado por Aristides às 13:09
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2016

A França é a França

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"François Hollande terá feito um "acordo secreto" com a União Europeia para não cumprir as metas do défice. Esta é uma das revelações do livro “Um Presidente não deveria dizer isto” feito por dois jornalistas do Le Monde após dezenas de entrevistas ao Presidente francês."

É este modelo de ética, é esta a forma de solidariedade, é este o paradigma da integração num espaço democrático que nos venderam como sendo o espaço da CEE, primeiro, e da União Europeia depois.

Não admira o desprezo com que a "Europa", ou a narrativa que as elites burocráticas de Bruxelas têm dessa volátil entidade, é vista até por quem a deveria ter por modelo, segundo o nosso olhar eurocêntrico.

Vergonha é o que todos devemos sentir pela maneira como somos manipulados e enganados por estes embusteiros sem dignidade nem honestidade política.

Palhaços!

publicado por Aristides às 15:19
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2016

Ne chantez pas la mort

 

Uma belíssima música apropriada a este dia. 

publicado por Aristides às 18:27
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