Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Carlos Peixoto, a peste grisalha e a Justiça

Um septuagenário de Coimbra, reformado, escreveu uma carta aberta em resposta a um artigo de opinião do deputado do PSD pelo círculo da Guarda, Carlos Peixoto, no qual este se referia ao envelhecimento da população portuguesa como a "peste grisalha".

Tendo sido processado por difamação, foi condenado pelo Tribunal de Gouveia ao pagamento de 1.200 euros de multa, além de uma indemnização de 3.000 euros ao deputado social-democrata, mas recorreu para o TRC que confirmou agora a decisão.

Não vou entrar na onda nacional-lamurienta de indignação com a "justiça que temos", de que a "justiça protege sempre os poderosos", que sempre surge cada vez que se anuncia uma sentença mais polémica. Sei que a Justiça, num Estado de Direito corre o risco de ser incompreendida e de ter decisões estranhas, quando isso acontece em nome de um bem maior que é a proteção dos inocentes contra a discricionaridade do poder. Muitas vezes não o consegue ou não o quer, mas não é por isso que o princípio deixa de ser bom.

No caso vertente acontece, parece-me, um desses casos. Não sei em que termos o arguido escreveu a carta aberta: foi, pelos vistos, insultuoso em relação ao político. Mas não terá sido aquela torpe afirmação do deputado (a peste grisalha) muito mais insultuosa e para muito mais gente?

É que, ainda por cima, o pobre do homem teve azar em ser o escolhido para dar o exemplo. Pelo que me apercebi, foram milhares os portugueses, pestíferos ou não, que dirigiram ao ilustre deputado palavras do mais puro vernáculo utilizando os vários meios de comunicação ao seu dispor.

Carlos Peixoto, que há de ficar grisalho como os outros, deveria compensar a falta de sensibilidade social com um bocadinho de bom senso. Infelizmente faltam-lhe as duas coisas.

 

 

publicado por Aristides às 13:42
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De Evelyn MC a 27 de Novembro de 2016 às 13:09
A Eureka de Carlos Peixoto:
“A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”

Senhor funcionário da Assembleia da República Portuguesa, Carlos Peixoto, perante a sua EUREKA ao dizer “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”, quero-lhe relembrar que toda contaminação tem causas e responsáveis.

Deixo-lhe uma pergunta de reflexão:
Considerando o Artigo 10º Irresponsabilidade, dos Estatutos de Deputado, feitos em micro-ondas, diz que “Os Deputados não respondem civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitirem no exercício das suas funções e por causa delas” e considerando que a sua frase ““A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha” foi emitida na voz de deputado na Assembleia da República, como conseguiu levar a Voz de um Cidadão pertencendo à Idade Cronológica dos Cabelos Brancos à barra do Tribunal para ser injustamente punido, se a frase foi dita no exercício do seu cargo de deputado?

Ora, Carlos Peixoto, a força de trabalho dos mais idosos, que eu designo como a Idade Cronológica dos Cabelos Brancos que vincam símbolos de maturidade e de progresso, vê no insulto que o Carlos Peixoto designou-os como “peste grisalha” a sua falta de educação intelectual, bem como a sua obediência à ignorância propositada e condicionada pelo PAE por defender a destruição de políticas sobre o equilíbrio entre a vida de família e o percurso profissional assim como a igualdade de chances que deverão aumentar a natalidade e o emprego.
Carlos Peixoto desrespeitou um ponto do Artigo 14º Deveres dos Deputados, dos Estatutos de Deputado, sendo este ponto a alínea f) “) Respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados” e a prova está na sua afirmação insultuosa “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”.
De facto, refugia-se no Artigo 10º Irresponsabilidade, dos Estatutos de Deputado, feitos em micro-ondas, mas perante o Artigo 1º Voz Própria do Cidadão, dos Estatutos de Cidadão, todos os ditos deputados são responsáveis perante a Voz Própria do Cidadão nomeadamente a Voz Própria da “Peste Grisalha” e que eu designo com orgulho como a Idade Cronológica dos Cabelos Brancos que vincam símbolos de maturidade e de progresso.
Relembro-lhe que os idosos são sujeitos do seu tempo e se afirma haver “contaminação” é porque não foi inteligente na construção de políticas que dinamizasse uma construção social da velhice, nem na criação de respostas eficientes aos desafios daí decorrentes para que a longevidade não seja vista como peso e ameaça, mas como dom e riqueza para o verdadeiro progresso humano.
Recusou criar políticas que dinamizassem a natalidade e o emprego para permitir o respeito pela dignidade de Ser Cabelos Brancos, mas preferiu as políticas de globalização, inscritas no PAE, para destruir todo o tecido das dinâmicas da natalidade como se a abertura para a vida representasse uma ameaça para seu bem-estar e até mesmo o da nação, bem como do emprego.
Ora a procura de uma compreensão da nossa realidade, mais adequada da situação, e sobretudo a possibilidade de se evidenciar mais claramente onde se encontram os maiores desafios e como enfrentá-los, há que considerar os questionamentos de cunho ético, com reflexos económicos e sociais, que emergem das motivações de fundo e dos métodos que se contrapõem à humanização das pessoas e das sociedades.
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